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Texto bíblico Básico:

Mateus  5. 38-48

38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.

O propósito de Deus ao dar esta Lei era oferecer misericórdia. E diziam os juízes: “que o castigo seja de acordo com o delito”. Não era uma regra para a vingança pessoal (Ex 21:23-25; Lv 24:19-20; Dt 19:21).

Seu propósito era limitar a vingança e ajudar ao juiz a aplicar castigos que não fossem nem pesados nem leves. Algumas pessoas, entretanto, estavam usando esta frase para justificar a vingança. As pessoas se desculpavam de seus atos de vingança dizendo: “Estou cobrando o que ele me fez”.

39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;

Bater a face direita –  Todo judeu no tempo de Jesus sabia o que significava bater na face direita de alguém, a saber, era o injurioso golpe com o lado exterior da mão, desferido com a mão direita contra a face direita do outro. De acordo com o código civil judaico, punia-se a pessoa que feria desse modo a honra de outra, com 400 sus (cerca de 160 dólares).

Ora, segundo a lei rabínica, bater com o dorso da mão era duplamente insultante que fazê-lo com a palma. Há certa arrogância insultante que se soma ao fato de dar um reverso ou golpe com o dorso da mão.

Assim, pois, o que Jesus diz é o seguinte: “Mesmo que alguém lhes dirija o insulto mais calculado e traidor, não devem responder com outro insulto do mesmo tipo, nem devem sentir-se ofendidos por sua ação.”

Não nos ocorrerá com muita frequência encontrar-nos com alguém que nos dê bofetadas, mas uma e outra vez no curso de nossa vida receberemos insultos de maior ou menor proporção; Jesus nos está dizendo aqui que o cristão precisa ter aprendido a não experimentar ressentimento, seja qual for o insulto que receber, e a não procurar vingar-se de maneira alguma.

De acordo com os psicólogos, a violência nasce da fraqueza, não da força. O homem forte é capaz de amar e de sofrer, enquanto o fraco pensa apenas em si mesmo e fere os outros para se defender. Depois, foge para se proteger.

Não resistais (opor-se, colocar contra) ao homem mal, isso significa: que somos orientados a não revidar ao homem mal, Ao mal devemos responder com o bem. Quando somos ofendidos, com frequência nossa primeira reação é procurar desforra. Jesus nos diz que devêssemos fazer o bem aos que nos causam dano. Não devemos guardar ressentimentos, a não ser amar e perdoar. Isto não é natural: é sobrenatural, e só Deus pode nos dar a força para amar. Em lugar de procurar vingança, ore pelos que o ferem.

É importante frisar que Jesus não está discutindo a obrigação do governo de manter ordem

40 e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;

Jesus segue dizendo que se alguém tenta nos tirar a túnica em um litígio ante os tribunais, não somente devemos deixar que se leve o que quer, mas também lhe oferecer a capa. Novamente, há aqui muito mais do que pode perceber-se superficialmente. A túnica, chiton, era uma espécie de camisa que se usava debaixo da roupa, e em geral era feita de algodão ou linho.

Até o homem mais pobre possuía habitualmente mais de uma muda deste objeto. A capa era a vestimenta exterior, de forma retangular e de consideráveis dimensões, que se usava como toga durante o dia e como telha durante a noite. Os judeus em geral tinham somente uma capa ou manta deste tipo.

A lei judia estabelecia que a túnica de um devedor era confiscável, mas não a capa. “Se do teu próximo tomares em penhor a sua veste, lha restituirás antes do pôr-do-sol; porque é com ela que se cobre, é a veste do seu corpo; em que se deitaria?” (Êxodo 22:26-27).

41 e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.

Te obrigar. Uma palavra de origem persa, descrevendo o costume dos correios e soldados  romanos que tinham autoridade de obrigar pessoas a prestarem serviços sempre quando fosse necessário (confira o caso de Simão Cireneu, Mt. 27:32).  Os soldados romanos que ocupavam o país podiam obrigar a qualquer transeunte a lhes levar sua carga até por uma milha (como 1.5 km).

 42 Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.

Ver Lucas 6:30 sejam judeus ou gentios; amigo ou inimigo; crente ou descrente, um bom ou um homem mau; digno ou indigno, merecendo ou não, que pede ajuda, seja comida ou dinheiro, dá-lo livremente, prontamente, alegremente, de acordo com suas habilidades, e como a necessidade dom momento, devem ser consideradas, e uma atenção especial  para com os da família da fé.

43 Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.44 Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;45 para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. 

Amarás o teu próximo (Lv. 19:18, 34) resume toda a segunda tábua da Lei (confira com Mt. 22:39).

Odiarás o teu inimigo. Esta adição que não é das Escrituras desvia-se da lei do amor; mas deveria ser uma interpretação popular. O Manual de Disciplina de Qumran contém a seguinte regra: “. . . amar todos os que Ele escolheu e odiar a todos os que Ele rejeitou” (1 QS 1.4).

Amai a vossos inimigos. O amor (agapao) prescrito é o amor inteligente que compreende a dificuldade e esforça-se em libertar o inimigo do seu ódio. Tal amor é parente da atitude amorosa de Deus para com os homens rebeldes (Jo. 3:16) e portanto é uma prova de que aqueles que agem assim são verdadeiros filhos do seu Pai

46 Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo?  47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios também o mesmo?

Publicanos. Os coletores judeus dos impostos romanos, odiados por seus patrícios por causa de suas flagrantes extorsões e sua associação com os conquistadores desprezados.

48 Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.

Como podemos ser perfeitos?

(1) Em caráter. Nesta vida não podemos ser impecáveis, mas podemos aspirar a ser mais semelhantes a Cristo.

(2) Em santidade. Como os fariseus, devemos nos separar dos valores pecaminosos do mundo.

(3) Em maturidade. Não podemos conseguir ter o caráter de Cristo e viver em santidade de repente , mas podemos lutar pela perfeição. Assim como esperamos uma conduta diferente de um bebê, de um menino, de um adolescente e de um adulto, Deus espera atitudes diferentes de nós, segundo nosso nível de desenvolvimento espiritual.

(4) Em amor. Podemos procurar amar a outros como Deus nos ama. A gente é se sua conduta é apropriada para seu nível de maturidade: perfeitos, mas ainda com muito espaço para crescer. Nossa tendência a pecar nunca deve nos deter no empenho de ser cada vez mais semelhantes a Cristo. O chama a todos seus discípulos à excelência, a superar o nível de mediocridade e a maturar em tudo, até chegar a ser como O é. Os que se esforçam por chegar à perfeição um dia conseguirão ser perfeitos como O é perfeito (1Jo 3:2).