A verdadeira prosperidade alcança-se pela observância da Palavra de Deus.

INTRODUÇÃO

– Na sequência do estudo deste trimestre, analisaremos hoje como alcançar a verdadeira prosperidade.

A verdadeira prosperidade é alcançada quando obedecemos à Palavra de Deus.

I – A VERDADEIRA PROSPERIDADE INICIA-SE COM A RESTAURAÇÃO DA COMUNHÃO COM DEUS

– Neste último bloco do trimestre, estamos a estudar o que é a verdadeira prosperidade e, na lição anterior, vimos quando se está diante de uma Igreja verdadeiramente próspera. Nesta lição, veremos como a verdadeira prosperidade pode ser alcançada.

– Lembramo-nos de que, no início do estudo deste tema, vimos que o homem foi criado num ambiente de prosperidade. O primeiro casal foi posto no jardim que Deus formou no Éden e vivia prosperamente. Quando falamos em alcançar a verdadeira prosperidade, estamos, naturalmente, falando no retorno a este estado primeiro da humanidade, que foi interrompido com a entrada do pecado no mundo.

– Temos, pois, como intuitivo que, para que tenhamos a possibilidade de restauração do ambiente próspero que Deus destinou para a humanidade, que, por primeiro, venhamos a retirar a causa de toda a perda daquele estado primitivo, ou seja, a remoção do pecado.

– O pecado estabeleceu uma inimizade entre Deus e o homem (Gn.3:15) e tal inimizade somente pode ser extirpada mediante a “semente da mulher”. Por isso, ao apresentar a Cristo diante do povo, João Batista foi claríssimo ao dizer que ali estava “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo.1:29). É em Cristo, a posteridade de Abraão (Gl.3:16), que todas as nações da Terra são benditas (Gn.12:3).

– Não há como restauramos o ambiente próspero inicialmente criado para o homem por Deus se não desobstruirmos o caminho da árvore da vida, cujo acesso se tornou impossível após o pecado (Gn.3:22-24), o que somente se pode fazer mediante a fé em Cristo Jesus e o consequente arrependimento dos pecados, tema do anúncio do Evangelho (Mc.1:14,15; Lc.24:46,47; At.3:18-21).

Para que se possa, portanto, alcançar a verdadeira prosperidade é mister que, em primeiríssimo lugar, haja arrependimento dos pecados e conversão, com a resposta positiva ao anúncio do Evangelho e a crença de que Jesus é o Senhor e Salvador do mundo. Deve-se, pois, para se alcançar a verdadeira prosperidade, entregar-se a Cristo Jesus e reconhecê-l’O como único e suficiente Senhor e Salvador.

A verdadeira prosperidade inicia-se na circunstância de tudo deixarmos, de tudo abandonarmos por Cristo Jesus. O Senhor Jesus, mesmo, assim o ensinou, como vemos em Mc.10:29,30: “Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de Mim e do Evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e, no século futuro, a vida eterna.”

– Percebamos que o Senhor é bem claro ao afirmar que, a partir do momento em que tudo deixamos, em que nos negamos a nós mesmos para segui-l’O, aceitando a proposta pregada pelo Evangelho, iniciamos o caminho para a prosperidade, que é o “cem vezes tanto” aludido pelo Senhor, mas não um cêntuplo materialista, como é ensinado pelos falsos pregadores da prosperidade, mas um “cêntuplo” que, inclusive, não impede a perseguição, mas que nos conduz à vida eterna.

– O cêntuplo, que é a fartura prometida pelo Senhor Jesus, é um novo estado espiritual, o estado da comunhão com Deus, uma nova dimensão de relacionamento com o Senhor, pois passamos a estar “nos lugares celestiais em Cristo”, onde somos abençoados com todas as bênçãos espirituais (Ef.1:3).

– O cêntuplo é a máxima frutificação do homem (Mt.13:23), objetivo primeiro de Deus para o ser humano (Gn.1:28), frutificação que nada mais é do que produzir frutos de justiça para glória e louvor de Deus (Fp.1:11), frutos dignos de arrependimento (Mt.3:8; Lc.3:8).

 

Quando nos negamos a nós mesmos, tomamos a nossa cruz e passamos a seguir a Cristo Jesus (Mt.16:24; Mc.8:34; Lc.9:23), damos início à prosperidade, pois abandonamos o pecado e, deste modo, passamos a ter livre acesso à arvore da vida, entramos novamente em comunhão com Deus e, deste modo, passamos a ser um com o Senhor (Jo.17:21) e o mundo passa a entender que Cristo foi enviado pelo Pai e que é o Senhor e Salvador do mundo.

– O resultado desta comunhão com Deus é que passamos a ser luz do mundo e sal da terra, realizando boas obras e os homens passam a glorificar a Deus (Mt.5:13-16) e a prosperidade que nos alcançou é compartilhada com os demais homens, com nítida modificação no “modus vivendi” de todos os que nos cercam, como está a provar a história da humanidade, que teve inegável incremento e mudança com a propagação do Evangelho, não só no aspecto espiritual, mas, também, com repercussões nos campos moral, social, cultural e econômico.

– O primeiro passo para se alcançar a prosperidade, pois, está no arrependimento dos pecados e na conversão, um processo que é imediato na medida em que depende da fé em Cristo Jesus, que vem pelo ouvir pela Palavra de Deus (Rm.10:17), mas que é tão somente o início de um processo, o processo da salvação, que perdura até a vinda de Cristo para arrebatar a Sua Igreja ou, então, individualmente falando, a partida de cada um para a eternidade. Por isso, o Senhor diz que a salvação está na “perseverança até o fim” (Mt.24:13).

– Neste processo da salvação, o estágio que mais se estende no tempo é o da “santificação progressiva”, ou seja, a contínua e cada vez mais intensa separação do pecado (Ap.22:11), que, juntamente com o embaraço, está sempre a nos rodear de perto (Hb.12:1). Estamos, pois, diante de uma constante luta contra o mundo, a carne (a nossa natureza pecaminosa) e o diabo, para que nos mantenhamos separados do pecado, em santidade, para que persistamos fiéis até a morte (Ap.2:10).

O segundo passo, pois, para a prosperidade é a santificação, a manutenção de nossa separação do pecado, o inconformismo com este mundo e a constante transformação pela renovação do nosso entendimento (Rm.12:2).

– Quando vemos a quase ausência de mensagens de santificação em nossos púlpitos nestes dias finais da dispensação da graça, a falta de prioridade e ênfase a busca de u’a maior intimidade com o Senhor por meio de atividades espirituais como a oração, a meditação e aprendizado das Escrituras, a busca do batismo com o Espírito Santo e dos dons espirituais, verificamos quão distantes estamos da verdadeira prosperidade e como há imensa necessidade de as lideranças acordarem para terem um povo verdadeiramente próspero.

– No Éden, em toda viração do dia, o Senhor vinha entrar em contato mais próximo com o primeiro casal (Gn.3:8) e isto deve ser uma característica da vida próspera de todos quantos aceitaram a Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador. Não foi por outro motivo que o Senhor Jesus prometeu estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt.28:20).

– Tendo acesso à árvore da vida, tendo passado da morte para a vida (Jo.5:24), é absolutamente necessário que nos encontremos diariamente com o Senhor, por intermédio dos meios de santificação, a saber: a Palavra de Deus (Jo.17:17), a oração (I Tm.4:15; o jejum (Mc.2:18-20), o temor a Deus (II Co.7:1) e a participação digna na ceia do Senhor (I Co.11:23-29).

– A prosperidade, ao exigir a santificação como segundo passo, está também a nos impor o crescimento espiritual, crescimento que é constante e contínuo, pois nosso alvo é chegarmos todos “à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef.4:13), fator que, decididamente, somente será alcançado quando da nossa glorificação no dia do arrebatamento da Igreja.

– Por isso, apesar de toda a sua estatura espiritual, o apóstolo Paulo foi bem claro ao afirmar que não se considerava perfeito e que prosseguia buscando este estágio (Fp.3:12,13), estágio que somente viria com a sua morte física (II Tm.4:7,8).

Grande perigo que se apresenta no alcance da prosperidade é, portanto, o comodismo, a satisfação com o que já se alcançou na vida espiritual e que leva a uma sensação de autossuficiência, a uma acomodação. Neste ponto, corre-se o risco de se raciocinar como o anjo da igreja em Laodiceia e de se entender que se é rico e de que nada mais tem falta, caminho célere para se alcançar a desgraça espiritual (Ap.3:17).

– Quando se entende que se atingiu um patamar espiritual suficiente e que não é mais necessário crescer espiritualmente, buscar mais a face do Senhor, entra-se num campo extremamente perigoso, pois não há mais vontade de se separar do pecado. Quem não caminha em direção a Deus, caminha em direção ao mundo, não se pode ser estático no mundo espiritual. O resultado é que se inicia uma decadência espiritual, uma mistura com o pecado e é por isso que o anjo da igreja de Laodiceia era chamado de “morno”, pois, ao estancar a sua progressão espiritual, passou a se misturar rapidamente com o pecado.

– Moisés, inspirado por Deus, em seu último cântico, falou desta triste realidade, ao mostrar que Israel, após ter engordado, deu coices, deixando e desprezando a Deus (Dt.32:15), tendo como triste consequência o próprio desprezo divino (Dt.32:19,20). Assim também ocorre com muitos crentes que, tendo alcançado as bênçãos espirituais, envaidecem-se e acabam deixando o próprio Senhor. Tomemos cuidado, amados irmãos!

II – A VERDADEIRA PROSPERIDADE TEM REPERCUSSÃO NA VIDA SOBRE A FACE DA TERRA

– Embora a verdadeira prosperidade esteja vinculada à comunhão com Deus, tem ela repercussão na vida que estamos a levar sobre a face da Terra. No Éden, além do acesso à árvore da vida, Deus plantou no jardim que formou “toda árvore agradável à vista” e “toda árvore boa para comida” (Gn.2:9), ou seja, havia bem-estar psíquico e físico para o homem.

A comunhão com Deus, restabelecida com o perdão dos nossos pecados quando reconhecemos a Cristo como nosso Senhor e Salvador, vem acompanhada de uma vida psíquica e física favorável. Assim que temos nosso encontro com o Senhor Jesus, passamos a gozar de um equilíbrio psíquico, eis que nossa alma passa a ser governado pelo espírito humano, vivificado e controlado pelo Espírito Santo (Rm.8:1), bem como se passa a ter a “bênção da abastança”, ou seja, passamos a ter a promessa divina de que teremos o suficiente para nossa manutenção nesta Terra, o suficiente para comida, bebida e vestido, com o que devemos, inclusive, nos contentar (I Tm.6:8).

– A prosperidade envolve, pois, de um lado, o equilíbrio psíquico, que advém do fato de sermos controlados pelo Espírito Santo, que derrama sobre nós o amor de Deus (Rm.5:5), o que nos leva a ter uma vida baseada no amor divino, base de todo o comportamento que passa a ser seguido pelo discípulo de Jesus Cristo. Não é por outro motivo, aliás, que o sábio Salomão chama todo desequilíbrio psíquico de “aflição de espírito” (Ec.1:17).

– De outro lado, a prosperidade envolve a “suficiência material”, a “benção da abastança”, ou seja, o suficiente para sobrevivermos fisicamente nesta Terra, o suficiente para nossa subsistência em termos de comida, bebida e vestido.

Esta bênção da abastança, no entanto, é dada pelo Senhor dentro dos parâmetros estabelecidos quando da criação do homem, ou seja, tem como base o trabalho, característica que nos faz, inclusive, semelhantes a Deus, que é um ser trabalhador (Jo.5:17).

– Já no Éden, antes mesmo do pecado, o homem foi chamado para trabalhar, pois deveria lavrar e guardar o jardim (Gn.2:15), trabalho que, com o pecado, tornou-se penoso e absolutamente necessário para a sobrevivência (Gn.3:17-19). Não foi outra a razão da expressão do apóstolo Paulo aos tessalonicenses: “…se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (II Ts.3:10 “in fine”).

A prosperidade advinda da comunhão com Deus, portanto, não dispensa a necessidade do trabalho, antes a reforça, pois, quando alguém passa a servir a Deus entende que todo o trabalho que realizar não é para o seu empregador, mas, sim, uma atividade feita para o próprio Senhor (Ef.6:5,6).

– No entanto, o inimigo de nossas almas tem disseminado, entre os homens, uma mentalidade em tudo contrária ao que nos ensinam as Escrituras Sagradas. Quando se fala em “prosperidade”, de imediato vem a ideia de se ter muito mais do que o suficiente para a sobrevivência e tudo isto amealhado com o trabalho dos outros. O que todos desejam, no mundo, é “sombra e água fresca”, ou seja, terem do bom e do melhor, muito além do necessário, obtido não pelo próprio trabalho, mas, sim, pela exploração do trabalho alheio, pela apropriação do que foi feito por outras pessoas.

– A prosperidade material propalada e almejada pelos seguidores da “teologia da prosperidade” e pelos gentios, em geral, é o acúmulo de riquezas por meio da colocação de pessoas à disposição dos que enriquecem, a redução dos homens a meras mercadorias, o que foi eficazmente conseguido pelo sistema capitalista, que é, sem dúvida, o sistema econômico que, hoje já consolidado em todo o mundo, baseará o governo do Anticristo, como nos mostra o cenário constante de Apocalipse 18.

OBS: E não pensem os amados que o sistema socialista, que rivalizou com o capitalista durante todo o século XX seja diferente. Como disse o jornalista e humorista Millôr Fernandes certa feita: “O contrário da exploração da mesa pela cadeira é a exploração da cadeira pela mesa. O capitalismo é a exploração do homem pelo homem e o socialismo, exatamente o contrário”.

– Deus abençoa o homem que passa a ter comunhão com Ele, prometendo-lhe a suficiência, o necessário para a sua sobrevivência e isto faz parte da prosperidade, mas, para alcançar esta suficiência, faz-se necessário que o homem trabalhe, pois ainda estamos neste mundo, sofrendo as consequências do pecado, uma das quais é a necessidade do trabalho para a nossa sobrevivência.

– Esta realidade é tanta que, mesmo quando o Senhor Se encarregou de providenciar o sustento do povo de Israel no deserto, nem por isso o povo israelita deixou de trabalhar. Embora o maná viesse diariamente da parte de Deus, sem que houvesse qualquer necessidade de cultivo ou produção, mesmo assim Israel tinha de se levantar, antes do nascer do sol, para fazer a colheita do maná, com exceção do dia de sábado (Ex.16:4,16,21).

 

– Não há, pois, base bíblica alguma para qualquer ensino que diga que uma pessoa salva por Cristo Jesus estará dispensada do trabalho, que a bênção de Deus será tal que ela poderá viver completamente na ociosidade, apenas “desfrutando daquilo que Deus lhe deu”. Tudo isto é mentira, amados irmãos!

– Se a prosperidade nos restaura o estado de comunhão com Deus que havia antes do pecado, isto nos levará, inevitavelmente, a um estado onde o trabalho é existente, não havendo, pois, lugar algum para o ócio. A ociosidade, aliás, é uma característica da sociedade de Sodoma, cuja impenitência foi tal que o Senhor a destruiu com fogo e enxofre (Ez.16:49). Lembremo-nos disto, amados irmãos!

– Esta obrigatoriedade do trabalho envolve a todos, inclusive os que se dedicam à obra de Deus. Os que foram chamados pelo Senhor para se dedicarem, em tempo integral, a cuidar do povo de Deus também devem trabalhar, pois o cuidado no apascentar das ovelhas é um trabalho, cuja execução é muito bem verificada pelo Senhor (Ez.34:1-4). Por isso, não há problema algum em se assalariar aqueles que dedicam suas vidas no apascentar as ovelhas do Senhor Jesus, desde que realmente trabalhem (I Tm.5:18) e se contentem com o necessário, visto que também a eles não é lícito estabelecer uma vida regalada à custa da exploração dos servos do Senhor.

– Vezes há, porém, em que as circunstâncias farão que até mesmo estes obreiros tenham de se dedicar ao trabalho secular, como foi o caso do apóstolo Paulo (II Co.11:8,9; I Ts.2:9), seja porque não há condições de a igreja mantê-los, seja para evitar murmurações e escândalos.

III – PRINCÍPIOS DE ADMINISTRAÇÃO DO DINHEIRO

– Havendo uma repercussão material na prosperidade, vez que estamos neste mundo, embora dele não sejamos, é natural que a Bíblia Sagrada contenha princípios a respeito da administração dos bens materiais.

– Para que possamos entender o que a Bíblia diz a respeito da conduta do ser humano frente aos bens materiais é imperioso verificarmos a própria declaração primeira da revelação de Deus ao homem. Em Gn.1:1, a Bíblia deixa claro que Deus criou os céus e a terra, o que repete em Gn.1:31-2:3. Assim, tanto no início quanto no término do relato da criação, a Palavra não deixa qualquer dúvida de que Deus é o Senhor do Universo, ou seja, o dono de tudo.

– Assim, não deve causar espanto a declaração do salmista (Sl.24:1), segundo a qual “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam”. Com efeito, por ter criado o mundo e tudo o que nele há, Deus é o legítimo dono de todas as coisas.

– Se isto é assim, o homem é apenas um administrador da criação. Com efeito, ao criar o homem e a mulher, Deus concedeu a eles o domínio sobre toda a criação (Gn.1:26,28), domínio este que não representa senhorio, mas uma autoridade, uma autorização para administrar a criação terrena (observemos que no mandato dado ao ser humano por Deus não se incluem as criações celestiais. É por isso que o salmista afirma que o homem foi feito pouco menor do que os anjos – Sl.8:5).

– Partindo deste pressuposto, não pode o homem achar-se dono de coisa alguma sobre esta terra e deveria comportar-se desta maneira, ou seja, plenamente consciente de que é apenas um administrador daquilo que Deus lhe deu. É exatamente esta a consciência do cristão, a de que é apenas um mordomo, um despenseiro de Deus ( I Co.4:1,2; Tt.1:7; I Pe.4:10).

– Assim, se temos a capacidade, dada por Deus, de sujeitarmos à nossa vontade os bens existentes na natureza (e bem, aqui, é tudo o que pode suprir as nossas necessidades e nos trazer alguma utilidade) e isto é o princípio da propriedade (por isso o jurista alemão Windscheid conceituava propriedade como a sujeição absoluta de algo à vontade de uma pessoa), ao mesmo tempo devemos observar que a propriedade não é um fim em si mesma, mas tem a função de, por meio desta sujeição, tornarmo-nos um instrumento da vontade divina.

– É, por isso, que a propriedade deve ser considerada como um direito natural, um direito inerente à pessoa humana, devendo ser respeitada e garantida, não tendo cabimento nem qualquer respaldo bíblico qualquer iniciativa que tenda a suprimi-la dos indivíduos, mesmo se o fizer em nome de uma suposta igualdade social (como o fizeram os comunistas marxista-leninistas no século XX), por ser algo contrário à ordem estabelecida por Deus ao gênero humano, mas, ao mesmo tempo, não se pode conceber uma propriedade que não tenha por objetivo a realização da vontade divina na humanidade. Assim, tão contrário à Bíblia como a supressão da propriedade privada é a sua exacerbação, a busca desenfreada pelo acúmulo de riquezas e de posses em detrimento do próximo e da sociedade.

OBS: “…O capitalismo, como princípio básico, sem os seus abusos, concorda com os ideais do cristianismo. O conceito de propriedade privada era uma das vigas mestras do judaísmo. Cada família contava com a sua propriedade particular, protegidas pelas leis da herança. O ideal era e continua sendo que cada homem tenha a sua própria vinha e a sua própria figueira ( I Rs.4:25; Mq.4:4). Porém, é deveras instrutivo ver como a legislação mosaica também defendia os direitos dos pobres. De acordo com o cristianismo, o conceito de propriedade privada não somente é exposto como normal, mas, igualmente, como meio de proteger o indivíduo de medidas ditatoriais do Estado…O Novo Testamento, naturalmente, combate os típicos abusos do capitalismo, como a desconsideração pelos direitos do indivíduo e a escravização dos mais pobres pelos ricos, mediante medidas econômicas….Adam Smith, que tinha um ponto de vista otimista da natureza humana, supunha que, – finalmente, surgiria do mercado livre uma espécie de harmonia automática, visto que o homem seria essencialmente bom em sua natureza, a qual controlaria os seus interesses pessoais. Mas o cristianismo ensina que isso só começa a ser curado com a conversão espiritual. Esse preceito, pois, volta-se tanto contra os abusos do capitalismo como contra o ateísmo do comunismo, sistema este que supõe que o mundo é governado por princípios econômicos, e não por princípios espirituais.” (CHAMPLIN R.N.. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.1, p.646).

– Assim, ao mesmo tempo em que a Palavra de Deus garante a cada ser humano a possibilidade de sujeitar bens de acordo com a sua vontade e de deles usufruir para a satisfação de suas necessidades, também estabelece que o objetivo do homem e da mulher não deve ser o acúmulo de riquezas para si ou a sua exaltação por causa dos bens que tenha a seu dispor, mas que tudo isto seja um instrumento para que a glória de Deus se manifeste na administração destes bens que lhe forem confiados por Deus, o único e verdadeiro dono de todas as coisas.

– Entretanto, o homem sem Deus e, consequentemente, sem uma dimensão da eternidade, tem sua vista obscurecida pelas coisas temporais e passageiras e, portanto, acaba se deixando dominar pela avareza, pelo desejo de acumulação de riquezas, que é uma insensatez total, como deixou bem claro Jesus na parábola do rico insensato (Lc.12:13-21), “porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui”(Lc.12:15).

– Lamentavelmente, não são poucos os que acabam se perdendo na caminhada para o céu por causa dos bens materiais e por causa do dinheiro. A Bíblia revela que a ganância pelas coisas, que a avareza tem sido um obstáculo para muitos alcançarem a salvação, como nos casos do mancebo de qualidade (Mt.19:22; Lc.18:23), de Judas Iscariotes (Lc.22:3-6; Jo.12:4-6), de Ananias e Safira (At.5:1-5,8-10),  de Simão (At.8:18-23) e de muitos outros, como afirmou Paulo em sua carta a Timóteo (I Tm.6:9,10).

O dinheiro não é um mal em si. Ariqueza é uma bênção de Deus, tanto que Deus a concedeu a Salomão (I Rs.3:13), mas, e aqui está um caso típico, não podemos pôr nas riquezas o nosso coração (Mt.6:19-21). Devemos, sempre, buscar servir a Deus e Lhe agradar. Esta deve ser a intenção do cristão. Se Deus nos conceder a riqueza, que nós a usemos para agradar a Deus. Se nos der a pobreza, que nós a usemos para agradar a Deus. O importante é que não façamos dos bens materiais o objetivo e a intenção de nossas vidas. Quem passa a viver em função dos bens materiais, quem passa a pôr o seu coração nos tesouros desta vida, passa a ser um avarento, um ganancioso e, como tal, será um idólatra (Cl.3:5) e, assim, está fora do reino dos céus (Ap.22:15).

– Neste ponto, devemos, pois, contrariar ensinamentos a respeito da “opção pelos pobres”, que tem sido o mote da teologia católico-romana, principalmente após o Concílio Vaticano II, com especial ressonância na Igreja Romana da América Latina. Em momento algum, na Bíblia Sagrada, Deus manifesta Sua opção em favor dos pobres, em detrimento aos ricos. A Bíblia, aliás, expressamente, afirma que Deus fez tanto o pobre quanto o rico (Pv.22:2) e seria injusto caso preferisse um ao outro, se ambos são obra de Suas mãos.

– Buscam os idealizadores desta “opção pelos pobres” fundamentação na passagem do mancebo de qualidade em que Jesus afirma que dificilmente um rico entrará no reino dos céus (Mt.19:212-26). Tal afirmação de Jesus é uma constatação, porquanto a existência de riquezas, diante da natureza pecaminosa do homem, faz com que o ser humano seja mais facilmente enganado pela sensação de autossuficiência, que conduz à perdição eterna, mas, em momento algum, revela que Deus tenha feito uma opção pelos pobres em detrimento dos ricos. Tanto assim é que a Bíblia está repleta de homens que gozavam de confortável situação financeira e que serviam a Deus, como são exemplos, para ficar só no ministério de Jesus, José de Arimateia, Nicodemos e as mulheres que acompanhavam o Mestre e que, diz a Bíblia, serviam-nos com suas fazendas, ou seja, com seus recursos financeiros.

– A Bíblia nos mostra que a aquisição de bens materiais é uma necessidade para o homem depois da sua queda, pois deverá, do seu trabalho, obter o seu sustento (Gn.3:19). Deste modo, a obtenção dos meios necessários para a nossa sobrevivência deve vir do trabalho. É por isso que Paulo, numa afirmação dura, mas que é a verdade nua e crua, disse que “se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (II Ts.3:10), máxima que foi, inclusive, incorporada em várias Constituições de países comunistas no século XX, mas que traduz um princípio bíblico.

– Portanto, a primeira fonte de aquisição de bens materiais deve ser o trabalho, devendo, pois, o cristão valorizar o trabalho e buscá-lo como forma de sustento seu e de sua família. É, aliás, este traço da ética cristã que foi objeto de estudo do sociólogo alemão Max Weber, que, em seu livro, “A Ética Protestante e o Capitalismo”, que foi considerado um dos principais livros do século XX (foi considerado a maior obra de ciências humanas daquele século), entendeu que, graças a este valor dado pelos cristãos ao trabalho, em virtude do que diz a seu respeito a Bíblia Sagrada, que foi possível o surgimento dos países desenvolvidos da Europa Ocidental (Inglaterra, França, Holanda e Alemanha, fundamentalmente) e, posteriormente, a grandeza dos Estados Unidos da América.

– Assim, o cristão deve, sempre, dignificar o trabalho, valorizá-lo e, através dele, obter o seu sustento, levantando-se contra toda estrutura sócio-econômica que venha a desprestigiar o trabalho. Neste passo, é dever de todo cristão incentivar e estimular o aumento da oferta de emprego, bem como resistir a toda prática que vise a supressão de postos de trabalho sem a devida compensação. As políticas compensatórias, ademais, não devem ser de cunho meramente assistencialista, mas devem sempre ser tais que incentivem e estimulem a busca de novos empregos, ainda que se tenha de preparar convenientemente o desempregado.

– Neste ponto, aliás, como a busca pelos bens materiais deve ser com vistas à satisfação de Deus e não a uma incessante corrida pelo prazer, pelo luxo e pela autossuficiência, temos que há uma clara distinção entre a ética cristã e a ética do capitalismo. O capitalismo é um sistema econômico em que se busca, sempre, o máximo lucro com o menor custo, com o aumento incessante da produção e do consumo. Dentro da lógica do capitalismo, é preciso sempre produzir cada vez mais, com o maior lucro e com a redução crescente dos custos. A ética cristã, entretanto, é bem diversa: não há que se buscar o máximo lucro, mas, bem ao contrário, deve-se buscar o suficiente para se ter uma vida digna, uma vida sossegada, mas sem a “febre do ouro” que tem dominado o mundo de hoje. Diz o sábio Agur que devemos, sempre, buscar a “porção acostumada de cada dia” (Pv.30:8,9).

– Não se está aqui afirmando que o cristão não deve procurar uma melhoria de vida, um melhor emprego, capacitar-se para obter melhores posições, ou seja, em absoluto se nega ao servo de Deus a busca de melhores oportunidades, um progresso maior, até porque o filho de Deus não é cauda, mas cabeça (Dt.28:13), mas se está afirmando, isto sim, que não devemos colocar como alvos únicos e exclusivos de nossas vidas uma prosperidade material, como objetivo as benesses desta vida (Pv.27:24). Nunca nos esqueçamos que, se cremos em Cristo só para esta vida, seremos os mais miseráveis de todos os homens! (I Co.15:19).

– Quando o homem tenta progredir na vida material tendo consciência de que existe uma dimensão eterna, de que é mero administrador do que Deus lhe confiou, ele jamais se comporta de forma nociva ao seu semelhante, jamais busca usar de todos os métodos, lícitos ou não, visando à acumulação de riquezas, pois tem pleno conhecimento de que nu saiu do ventre de sua mãe e de que nu terminará a sua existência (Jó 1:21; I Tm.6:7). Como dizem as Escrituras, aqueles que se envolvem na ilusão das riquezas, trazem para si somente males e problemas, já nesta vida, que dirá quando se encontrar com o reto e supremo Juiz de toda a terra (Pv.28:22; I Tm.6:9; Hb.9:27).

– Dentro desta perspectiva, o cristão deve, consciente de que o que tem amealhado de bens materiais, é para ser um instrumento de satisfação da vontade divina, administrar o seu patrimônio de forma a obter este agrado de Deus, fazendo-o conforme a Sua Palavra.

– Em primeiro lugar, como devemos ser imitadores de Cristo (I Co.11:1), devemos ver como Jesus administrava as suas finanças. Ao contrário do que muitos pensam, Jesus não era uma pessoa totalmente despreocupada ou alienada em relação aos bens materiais. Não era preso a eles, como o cristão não deve sê-lo também, mas jamais mostrou ser pessoa que não tivesse organizadas as suas finanças. Vemos que Jesus tinha uma bolsa, ou seja, um verdadeiro caixa para a assistência social (Jo.12:5,6), bem assim tinha um grupo de mulheres que sustentava o Seu ministério com recursos (Lc.8:3), tendo, inclusive, tido o cuidado de recolher o tributo que lhe foi cobrado (Mt.17:24-27). Jesus sempre foi uma pessoa responsável para com o que tinha de administrar, tanto que, às vésperas da morte, tratou de deixar amparada a Sua mãe, que era Sua responsabilidade, como filho primogênito (Jo.19:26,27).

– Em segundo lugar, devemos, na organização de nossas finanças, partir de um princípio fundamental, qual seja, o de que não podemos, em hipótese alguma, gastar mais do que ganhamos. Deus nos concede a bênção da abastança, ou seja, o necessário, o suficiente para sermos um instrumento Seu neste mundo. Assim, como bons administradores, devemos ser fiéis (I Co.4:2) e isto significa sermos cumpridores de nossas obrigações para com Deus, com a família e com a sociedade. A fidelidade que se exige do servo de Deus também alcança o aspecto financeiro e, num mundo materialista como o que vivemos, esta fidelidade é a que mais fará realçar o nome do Senhor entre os incrédulos. Nunca nos esqueçamos de que os homens devem nos considerar ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus (I Co.4:1) e ver as nossas obras e, ao vê-las, glorificar ao nome do nosso Pai (Mt.5:16) e, repetimos, isto passa necessariamente pelo aspecto financeiro de nossas vidas.

 

– A fidelidade começa em reconhecermos a soberania de Deus em nossas vidas. Como já temos dito, o verdadeiro cristão reconhece que é apenas um mordomo dos bens divinos que lhe foram confiados e, deste modo, tem noção e consciência de que Deus é o dono de tudo que temos e de tudo que somos. Este reconhecimento se dá, na prática da vida financeira, mediante a entrega do dízimo. O dízimo é o primeiro gesto de administração de bens de um cristão fiel. É um ato pelo qual se reconhece que Deus é o Senhor, como foi  estudado na lição 9.

A segunda atitude de um cristão fiel nas finanças, após a entrega do dízimo ao Senhor, é a separação do necessário para o sustento e educação de seus filhos. Com efeito, os filhos são herança do Senhor (Sl.127:3) e os pais têm uma grande responsabilidade em relação a eles, que não vieram ao mundo senão por nossa causa. Devemos ter o mesmo cuidado que o servo exemplar que era Jó tinha com relação a seus filhos (Jó 1:4,5). Isto inclui, inclusive, aqueles servos de Deus que, por um motivo ou outro, têm de pagar pensões alimentícias a filhos com quem não convivem. Trata-se de despesa prioritária e que, depois do dízimo, deve ser imediatamente cumprida pelo cristão fiel.

 

A terceira atitude de um cristão fiel nas finanças é o pagamento de suas obrigações. O cristão fiel é santo e diferente do mundo. Os ímpios se caracterizam, diz a Bíblia, por serem infiéis nos contratos (Rm.1:31). Por isso, deve o cristão ser muito cauteloso ao contrair obrigações, fugindo do consumismo que tem dominado as consciências dos homens sem Deus. Graças a uma eficaz publicidade e a pregação da busca de bens materiais a qualquer custo, as pessoas ingressam numa corrida pelo consumo sem medir as consequências. O resultado é o endividamento sem medida, a inserção das pessoas nos diversos órgãos de restrição ao crédito (SPC, SERASA etc.), o que faz com que as pessoas sejam aviltadas em sua dignidade e, não poucas vezes, levadas a situações angustiantes. Lamentavelmente, muitos cristãos têm se deixado levar por esta “febre consumista” e já não são poucos os crentes que têm seus “nomes sujos” na praça e que são tratados como “caloteiros”, envergonhando o Evangelho e dando motivo para que o nome do Senhor seja blasfemado. Tudo como consequência de uma má administração dos bens. Devemos ter todo o cuidado na montagem do orçamento doméstico, para assumir apenas obrigações que possamos cumprir. Devemos fugir das compras a prazo, salvo nos casos de extrema necessidade como habitação, porquanto os juros (notadamente no Brasil, que é o paraíso dos juros altos) evoluem de forma muito maior que os salários e o endividamento se tornará, certamente, impagável. Neste particular, o papel da mulher no lar é fundamental (Pv.31:11).

OBS: “…A atitude consumista não leva em conta toda a verdade sobre o homem: nem a verdade histórica nem a verdade interior e metafísica. Antes, é uma fuga dessa verdade. Deus criou o homem para a felicidade. Sim ! Mas a felicidade do homem não é a mesma coisa que o prazer ! O homem de orientação ‘consumística’ perde, nesse gozo do prazer, a dimensão plena de sua humanidade, perde a consciência do sentido mais profundo da vida. Essa orientação do progresso mata, portanto, no homem, aquilo que é mais profunda e mais essencialmente humano…” (JOÃO PAULO II. Meditações, p.125).

– Se o cristão for empresário, dentre as suas obrigações, a primeira a ser cumprida é o pagamento do salário de seus empregados, obrigação que não pode atrasar sequer um dia, pois isto fará com que Deus requererá esta atitude do empregador (Tg.5:1-5).

OBS: ” Tiago critica agora os proprietários que se enriquecem à custa dos trabalhadores. Visando unicamente ao lucro, esses latifundiários cometem graves injustiças sociais: retenção do salário devido aos operários (cf. Dt.24,14); acumulação de riquezas que não revertem para o bem comum, mas servem unicamente para uma vida regalada e luxuosa; opressão jurídica e condenações conseguidas graças ao suborno contra os pobres inocentes que não têm meios de defesa. Fruto do roubo e da injustiça, o tesouro amontoado pelos ricos será testemunho que os condenará na hora do julgamento.” (BÍBLIA SAGRADA. Edição Pastoral, Tg.5:1,6, p.1565-6)

– Ensina Salomão, o homem mais sábio que já existiu, que o homem não deve ser fiador de pessoa alguma. Trata-se de uma obrigação que o cristão não deve assumir e muito menos a igreja local exigir de seus membros (Pv.6:1-5, 11:15). Hoje já muitas outras formas de se garantir dívidas, de modo que não se trata de questão de vida ou de morte a constituição de fiança por parte de alguém.

OBS: ” Este versículo (Pv.6:1, observação nossa) é uma advertência para que ninguém seja ‘fiador’ de um amigo (cf. 11.15; 17.18; 22.26). Ser fiador significa aceitar a responsabilidade pela dívida doutra pessoa, se esta deixa de pagá-la. Esse ato torna a situação financeira do co-signatário dependente dos atos do amigo e fica sujeita a fatos que escapam ao seu controle. Pode levar à pobreza (cf.22.26,27) e à perda de amizades vitalícias. Isso não significa, porém, que devemos recusar-nos a ajudar alguém que esteja realmente sofrendo, sem meios para atender às necessidades básicas da vida (Ex.22.14; Lv.25.35; Mt.5.42). Quanto aos pobres, não devemos emprestar e sim dar-lhes (cf. Mt.14.21; Mc.10.21..)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. com. Pv.6.1, p.935-6).

O cristão, também, deve pagar os tributos, pois devemos dar ao governo que lhe é devido (Mt.22:17-21; Rm.13:7). Sabemos que o sistema tributário do Brasil é um dos mais injustos, senão o mais injusto, do mundo, mas isto não nos autoriza a sonegarmos tributos, porquanto, como filhos de Deus, estamos sujeitos à ordenação humana e devemos cumprir com as obrigações tributárias (Mt.17:24-27; I Pe.2:13). Nada impede, entretanto, o cristão de participar de movimentos ordeiros e legais que visem a uma maior justiça tributária. Aliás, o cristão sincero e verdadeiro deve sempre lutar pelo que é justo (Fp.4:8).

A quarta atitude de um cristão fiel nas finanças é o suprimento das necessidades de seu lar. Necessidade é o que é preciso. É o suprimento do que, realmente, faz-se preciso para uma vida digna, como alimentação, habitação, despesas com tributos, preços públicos, transportes, saúde, educação e previdência social. Devemos, repetimos, fugir daquilo que não é necessário, do supérfluo e do dispensável. Na aquisição de bens, o cristão deve ser econômico, pesquisar e pechinchar preços, tendo, aqui, mais uma vez, papel fundamental a mulher no lar (Pv.31:13,14,18). Neste ponto, vemos que o cristão deve ser previdente e sempre ter uma poupança para os dias de adversidade (Pv.31:21).

A quinta atitude de um cristão fiel nas finanças é a voluntariedade e a disposição em ajudar os necessitados, compartilhando com eles o seu pão, pois é este o objetivo divino quando nos dá além do necessário para nossa subsistência (II Co.8:14; Ef.4:28).

– O cristão deve ser generoso, usando parte de sua economia para sustentar o necessitado. Neste particular, interessante o pensamento de um pastor que, recentemente, nos fez ver que o maior pecado de um cristão que se comporte como um consumista e que gaste com bens supérfluos está em desperdiçar recursos que, como não lhe está fazendo falta no suprimento das necessidades essenciais, poderia ser direcionada para a ajuda aos mais necessitados.

– Como dissemos, Jesus tinha uma caixa de assistência durante o Seu ministério e cada cristão deve contribuir para a ajuda aos domésticos da fé e aos demais seres humanos. É de uma administração cautelosa que surgirão os recursos que poderão mitigar as dificuldades dos mais necessitados. Neste contexto, também, estão as ofertas alçadas que se devem dar nas igrejas, bem assim as contribuições específicas para determinadas obras na casa do Senhor e para a obra missionária. Seria muito bom que, na administração de seus bens, o cristão pudesse dedicar sempre uma parcela fixa de seu rendimento para esta parte. Lembremo-nos de que vivemos no país de maior desigualdade social do mundo e que, como cristãos, devemos demonstrar o amor de Deus que há em nossos corações.

– Atendendo a estes princípios bíblicos da administração do dinheiro, manteremos aquilo que Deus nos tem dado e o usaremos para a glória do Senhor. O ex-chefe da Igreja Romana, João Paulo II, costumava dizer que os “dons” de Deus tornavam-se “empenhos”, ou seja, em interesse, em grande disposição para a concretização, a realização de algo. Assim, uma vez tendo recebido de Deus bens materiais, devemos ter a disposição de empregá-los para a glória do nome do Senhor e não para nosso deleite, para o nosso prazer. Assim agindo, alcançaremos, em todas as áreas, a prosperidade que nos é prometida pelo Senhor.

Ev. Profº Dr. Caramuru Afonso Francisco