O que são obras sociais?

Geralmente são trabalhos realizados ou a realizar em prol do social, isto é em prol da sociedade ou comunidades mais carentes ou potencialmente menos favorecidas.

O cristão e as boas obras

“Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.” Tg 2.26

Fé e obras

Um dos assuntos mais polêmicos que envolvem o livro de Tiago é o confronto entre fé e obras. Tiago valoriza tanto uma coisa (1.6) quanto a outra (2.14). Porém, sua carta fala mais das obras, já que o autor observou a gravidade da ausência das mesmas na vida religiosa do povo. É como um médico que está indicando um reforço alimentar para suprir a falta de determinado nutriente, sem, contudo, menosprezar os outros. A fé é tão importante quanto fica demonstrado em Romanos e em Hebreus. Entretanto, se essa fé não produzir evidências visíveis, ela será como um plano que nunca foi realizado e seremos como árvores infrutíferas. Obra é fruto (Tg. 3.13,17). O fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22). Não obstante, tais virtudes precisam se manifestar através de atos e fatos. O fruto não pode ser abstrato. Precisa ser concreto. De que adianta um amor não revelado, não transmitido por meio de ações? (I João 3.18). A fé opera pelo amor (Gálatas 5.6). O amor é o canal por onde flui a fé. O resultado é obra. A fé se mostra superior nessa questão porque a nossa salvação depende dela. “Pela graça sois salvos mediante a fé” (Ef. 2.8). “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” (Mc. 16.16). Crer é fé. Batismo é obra, ato físico. Observe que ninguém será condenado pela falta do batismo e sim pela falta de fé. Entretanto, aquele que tem fé deverá manifestá-la através de atos de obediência, inclusive batizando-se. As obras devem ocorrer de acordo com os recursos e o tempo que Deus tiver nos concedido. Por exemplo, o ladrão que se converteu na cruz ao lado de Cristo, não teve tempo de se batizar nem fazer obra alguma. Contudo, foi salvo. Nós, porém, que temos tempo e recursos devemos fazer boas obras, não para sermos salvos, mas como fruto natural da nossa fé.  A fé é superior porque produz as obras e não o contrário. Tiago diz: “… se alguém disser que tem fé e não tiver as obras… porventura a fé pode salvá-lo?” (Tg. 2.14). O autor não está condicionando a salvação à prática de boas obras. O sentido é o seguinte: se a fé de alguém não produz obras, pode-se concluir que essa mesma fé não produzirá salvação, pois é ineficaz ou inexistente.

Conflito entre Thiago e Paulo

Vedes então que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.” – Tiago 2.24.”Concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” – Paulo, em Romanos 3.28.Lendo estes dois versículos, podemos pensar que Tiago e Paulo estão se contradizendo. Alguns comentaristas afirmam que a contradição existe e que é inexplicável. O próprio reformador Martinho Lutero tinha essa posição e chegou a usar a expressão “epístola de palha” para se referir ao livro de Tiago. Há quem diga que Tiago tenha escrito para atacar Paulo e seus ensinamentos. Tais hipóteses atentam contra a inspiração divina das Sagradas Escrituras. Outros teólogos apresentam a seguinte solução: Ao escrever aos Romanos, Paulo apresentou argumentos que tinham por objetivo combater a tese judaizante daqueles que exigiam dos gentios o cumprimento da lei mosaica. Diante disso, o apóstolo deixou claro que a salvação não depende das obras da lei, não depende dos rituais judaicos. Em sua exposição, Paulo lembra aos leitores que Abraão não foi justificado pelas obras da lei nem mesmo pela circuncisão, já que o patriarca teve sua experiência com Deus num tempo em que a lei mosaica não existia e até mesmo antes de ser circuncidado. Portanto, sua experiência foi baseada na fé. Paulo não estava falando de boas obras, de modo geral. Ele estava se referindo especificamente àquelas obras exigidas pela lei. Por sua vez, Tiago está preocupado com “o outro lado da moeda”. Muitos cristãos estavam reduzindo o cristianismo a uma religião teórica, apenas espiritual, sem efeitos visíveis. A estes, Tiago diz que as obras são importantes. Abraão é usado novamente como exemplo. Depois de ter sua experiência pela fé, Abraão não cruzou os braços. Abraão agiu. Ele saiu da sua terra, se dispôs a oferecer Isaque, e fez tudo aquilo que Deus queria que ele fizesse. Imagine que alguém entra no prédio de uma escola e queira logo apresentar trabalhos de pesquisa, fazer provas e exercícios. Será que a direção acadêmica aceitará tudo isso? De maneira nenhuma. S e o indivíduo não está matriculado, ainda não é aluno da escola. Então, não tem nenhum valor qualquer trabalho apresentado por ele. O que é necessário? A matrícula, o compromisso, o vínculo. Então, depois de matriculado, imagine que esse novo aluno resolva ficar em casa, totalmente alheio aos seus deveres escolares. Então a direção da escola irá procurá-lo para cobrar tudo o que Ele deveria estar fazendo. Assim, antes de sermos cristãos, de nada adiantam as nossas boas obras. “Paulo está dispensando”. Entretanto, agora que estamos salvos pela fé, precisamos executar as obras como fruto normal de um cristianismo autêntico e sadio. “Tiago está cobrando”.Em Romanos 3, Paulo está apresentado a futilidade das obras da lei no plano de salvação. Em outros escritos seus, o apóstolo deixa claro o quanto valoriza as boas obras de modo geral. Não que elas possam nos salvar. “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8-9). Entretanto, devemos fazer boas obras, porque este é um dos motivos da nossa permanência neste mundo. Caso contrário, poderíamos ter sido arrebatados no momento da conversão. “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2.10).Observe que são palavras de Paulo, na continuação do texto mencionado anteriormente.Quando escreveu a Tito, Paulo colocou nas boas obras a maior ênfase da carta (Tito 2.7,14;3.1,8,14). Contudo, no mesmo texto, o apóstolo deixa claro que as obras não salvam (Tito 3.4-5).Considerando suas epístolas de modo geral, Paulo enfatiza a fé, sem desvalorizar as obras. Tiago enfatiza as obras, sem desvalorizar a fé. De fato, ambas as coisas são importantes. A fé sem as obras é morta. Da mesma forma, as obras sem fé são obras mortas (Hb. 6.1).

Sendo assim, qualquer suposto conflito doutrinário entre esta carta e a de Romanos é puramente imaginário. Paulo, acossado por mestres do judaísmo nas igrejas, naturalmente deu grande ênfase à justificação pela fé sem as observâncias cerimonias. Todavia, quando ele escreveu a Tito, o tema principal de sua carta foi: a importância das boas obras, mostrando deste modo uma perfeita harmonia com os ensinos de Tiago. É evidente que este último, quando parece depreciar a fé, se refere apenas ao assentimento intelectual da verdade e não à “fé salvadora a que se refere Paulo”.

·         Para começarmos nesta lição devemos situar-nos sobre o local da igreja e também nos adiantarmos um pouco na próxima lição.

A cidade de Antioquia

A cidade de Antioquia da Síria foi fundada por volta de 300 a.C. Tornou-se um rico centro comercial e cultural, pois nela a influência grega estava presente. A população era composta por sírios, gregos e judeus. Os judeus exerciam uma boa influência na cidade, propagando a fé judaica e fazendo prosélitos para a religião judaica. Nesta cidade foi fundada uma igreja cristã composta por judeus e gentios, que veio a ser o ponto de partida para a expansão missionária no império romano. Antioquia foi considerada a 3ª metrópole do império romano, vindo depois de

Roma (Itália) e Alexandria (Egito). A Igreja em Antioquia demonstrou uma sensibilidade para com a missão da Igreja. Enviou auxílio para Jerusalém quando a fome assolou esta cidade – Atos 11.27-30 e enviou seus principais obreiros para o trabalho missionário – Atos 13.1.

A fundação da Igreja em Antioquia

A Fundação da igreja deu-se através dos dispersos por causa da perseguição e morte de Estevão em Jerusalém (Atos 7.54 a 8.2). Eles foram até a Fenícia, Ilha de Chipre e Antioquia, evangelizando especialmente os judeus.

Alguns convertidos em Fenícia e Chipre se dirigiram para Antioquia e lá anunciaram o evangelho em grego. Estes missionários gregos de Chipre e Fenícia eram comerciantes e artesãos que viajavam muito pelo mundo da época. Nesta ocasião foram até Antioquia, que era um importante centro comercial, para vender seus produtos e, enquanto faziam isto, anunciavam as maravilhas que haviam presenciado em Jerusalém. A mão do Senhor era com eles (Atos 11.21) de tal maneira que muitos se converteram ao Senhor.

Vamos dividir o texto da seguinte forma:

1. Evangelismo e Proclamação – 11.19-24

2. Edificação através do Ensino – 11.25-26

3. Serviço e Solidariedade – 11.27-30

4. Envio Missionário – 13.1-3

A igreja em Antioquia e o trabalho de Barnabé

1. Evangelismo e Proclamação – Os versículos 19 a 24 contam sobre o crescimento que a Igreja experimentou numa grande metrópole da época. Agora já não eram os missionários vindos de fora, mas a igreja já possuía esta característica de evangelização. O crescimento, especialmente entre os gregos, foi tal que os apóstolos em Jerusalém enviaram um emissário para ver o que estava acontecendo em Antioquia e assim criar um vínculo com a igreja de Jerusalém. Barnabé, enviado pelos apóstolos, ficou entusiasmado pela maneira como os cristãos viviam naquela cidade e reconheceu que era obra da Graça e do Amor de Deus. O impacto que causavam era tão grande que os discípulos passaram a ser chamados de “cristãos”. A Igreja de Antioquia tinha esta marca distinta de uma Igreja Missionária que é a PROCLAMAÇÃO. Proclamavam as Boas Novas de Jesus Cristo. Os comerciantes que foram a Antioquia, saídos da Fenícia e Chipre, nos fazem perceber que a rota a ser usada posteriormente pela Igreja de Antioquia para a evangelização em outros lugares, era a rota comercial e militar, o que facilitava o tráfego de pessoas e mercadorias. Esta rota comercial fazia ligação com as principais cidades da Ásia Menor, entre elas Éfeso; cidades da Macedônia, tais como Filipos, Tessalônica; além de outros grandes centros como Corinto, Roma, etc.

2. Edificação através do Ensino – Na segunda parte (11.25-26) percebemos que Barnabé decidiu permanecer em Antioquia e ajudar na consolidação e organização daquela comunidade cristã. A Proclamação em Antioquia atraiu Barnabé e ele desejou permanecer na cidade. Para realizar seu intento de pastorear aquele rebanho, foi procurar aquele que anos antes havia apresentado aos apóstolos: o perseguidor convertido, Paulo. Paulo era um homem de uma boa formação e teria condições de ensinar aos judeus e aos gregos convertidos. O v. 26 afirma que Paulo e Barnabé dedicaram muito tempo a instruir a igreja. Depois de um ano o trabalho estava consolidado e, pelo que parece, havia respeito na convivência entre judeus e não-judeus. Esta marca também caracterizava a Igreja de Antioquia como uma Igreja Missionária, ou seja, o ENSINO, a instrução, o doutrinamento, tão necessário para a Edificação da Comunidade Cristã. A palavra mestre ou ensino vem de um termo grego que quer dizer “professor”, “mestre” ou “aquele/a que transmite um conhecimento”. Em I Coríntios 12:28, mestre aparece como o terceiro dom espiritual de um grupo de três. Era o ofício na Igreja Primitiva de explicar aos outros a fé cristã e providenciar uma exposição clara e compreensível do Antigo Testamento.

3. Serviço e Solidariedade – A terceira parte (11.27-30) mostra a sensibilidade da Igreja para com os problemas dos cristãos de outros lugares. Sabendo que a Judéia passava por um período de fome, decidiram enviar donativos para os irmãos de Jerusalém. Estes donativos não eram esmolas, e sim sinal de solidariedade e serviço entre os irmãos. Provavelmente o exemplo de solidariedade e liberalidade no contribuir foi dada por Barnabé. Ele já havia feito isto quando estava em Jerusalém (Atos 4.36), quando o mundo da época enfrentava um período de fome, sobretudo a cidade de Jerusalém sofria muito. Havia falta de emprego e carência de muitos alimentos. Todos sofreram, inclusive os cristãos de Jerusalém. Neste ambiente surgiu Barnabé, que vendeu uma propriedade e colocou aos pés dos apóstolos para aliviar a dor dos mais necessitados. Este seu exemplo influenciou a Igreja de Antioquia, que já era sensível às necessidades do povo.

4. Envio Missionário – A grande ênfase da Igreja de Antioquia era sua preocupação com a evangelização. Desde o início esta característica está de forma clara na vida dos cristãos daquela cidade. O apelo missionário falava mais alto, a ponto de abrirem mão daqueles que por 1 ano ensinaram uma multidão: Paulo e Barnabé. O capítulo 13 de Atos conta esta história. O Texto de Atos 13.1-3 conta que a Igreja de Antioquia era presidida por profetas e doutores: os profetas tinham a função de exortar e fortalecer os membros da igreja e os doutores tinham a responsabilidade de ensinar. Tudo indica que os cinco líderes da Igreja fossem pessoas cultas e bem formadas e que colocaram a disposição de Deus seus dons e talentos. Dois destes líderes serão enviados em missão, prioritariamente para evangelizar judeus dispersos por várias cidades. Após o Concílio de Jerusalém (cap. 15), os grupos de missionários enviados pela Igreja de Antioquia vão também em busca dos gentios. Como vimos anteriormente, a rota usada por Paulo e seus companheiros são as rotas comerciais e militares, bem como os navios que carregavam mercadorias e passageiros de um porto ao outro. Nestas viagens entrava-se em contato com muita gente: entre elas podemos mencionar as seguintes: funcionários do governo romano, comerciantes e artesãos, peregrinos, turistas, carteiros, prisioneiros de guerras, escravos fugitivos, atletas, mestres, estudantes, filósofos, etc. Esta gente toda ia para os grandes centros, muitos levando a mensagem que ouviram de Paulo e seus companheiros durante as viagens. Como as rotas comerciais passavam, obrigatoriamente, pelos grandes centros e cidades portuárias, para estas Paulo se dirigiu, evangelizando e estabelecendo comunidades. Um estudioso do Novo Testamento calculou a distância que era possível de ser percorrida por dia e chegou aos seguintes números: Um navio antigo comum podia fazer 160 km por dia; a cavalo percorria-se cerca de 35 a 40 km por dia e a pé de 25 a 30 km. Provavelmente Antioquia tenha sido o berço do Evangelho de Mateus, segundo alguns especialistas. O Evangelho de Mateus pode ser considerado um manual de missões, especialmente o capítulo 10, intitulado “sermão missionário”. O Evangelho de Mateus é escrito num período de ruptura dentro da sinagoga judaica, o que provocou a saída dos judeus cristãos das sinagogas. A tendência inicial da Igreja de Mateus (Antioquia?) foi a de fechar-se, como uma sinagoga, mas logo o apelo missionário fez com que esta Igreja abrisse suas portas para a saída de missionários e a recepção de novos membros. Podemos concluir dizendo que o projeto da igreja cristã de Antioquia estava relacionado com a sua experiência, ou seja, uma comunidade aberta para receber os novos convertidos, seja qual for a nacionalidade; aberta também para enviar seus líderes em busca de outros povos, gente que precisava conhecer as Boas Novas.