Subsídio – Lição 1 – Central Gospel – 4º Trimestre 2013

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João Batista, o precursor do Nazareno

Esboço

  1. Caracterização Geral
  2. Família e Começo de Vida
  3. Fontes Informativas
  4. Ministério e Mensagem de João Batista
  5. Elias Redivivo
  6. João Batista e Jesus
  7. Seguidores de João Batista
  8. Morte de João Batista

Bibliografia

1. Caracterização Geral

a. O Precursor. João, filho de Zacarias (que era sacerdote) e de Isabel (igualmente de ascendência sacerdotal), foi o precursor de Jesus, o Cristo. As datas de seu nascimento e da inauguração de seu ministério público não podem ser determinadas com precisão. As sugestões variam de 8 a 4 A.C., quanto ao seu nascimento, e de 26 a 28 D.C., quanto ao início de seu ministério público. Lucas informa-nos que João Batista nasceu quando seus pais eram ambos de avançada idade. No evangelho de Lucas temos a bela visão de Zacarias, que mostrou que João seria um vaso especial para servir ao Senhor. Ele nasceu na região montanhosa da Judéia, – onde também passou os primeiros anos de sua vida. Isabel, sua mãe, era parenta (talvez prima) de Maria, mãe de Jesus. João vivia como um asceta, segundo se vê em Mat. 3:4. Vestia-se de maneira similar à de Elias (11 Reis 1:18).

Alguns estudiosos pensam que João Batista era: a reencarnação de Elias; mas outros, mais acertadamente, dizem que ele meramente cumpriu um ministério como o de Elias. Ou alguém que ministrava no poder e espírito de Elias. João Batista era uma voz no deserto, que conclamava os homens ao  arrependimento, para que eles se voltassem para o Cristo, o Cordeiro de Deus (João 1:23,29). Foi o Batista quem preparou o núcleo inicial dos discípulos de Jesus, os quais, finalmente, se tornaram seus seguidores, quando chegou o tempo aprazado para isso.

b. A Mensagem de João Batista. Essa mensagem tinha como ênfase principal a necessidade de arrependimento, a breve inauguração do Reino de Deus à face da terra, e o iminente aparecimento do Messias, que haveria de julgar, purificar e unificar o povo de Deus. João Batista identificou Jesus como o Messias prometido, embora pareça ter hesitado quanto a essa identificação, pelo menos durante algum tempo, quando, sofrendo no cárcere, e sob forte desapontamento, chegou a duvidar (Mar. 11:3).

c. O Batismo de Jesus por João. Entre os que vieram receber o batismo de João, achava-se o próprio Jesus, que quis assim identificar-se com o grupo separado daqueles que buscavam fervorosamente o reino de Deus . Foi nessa oportunidade que João declarou enfaticamente que Jesus era o Messias. Ver Mat. 3: 13-15.

d. Um Extenso Ministério. Sabemos que o ministério de João Batista não se confinou ao vale do Jordão, O trecho de João 3:23 mostra-nos que ele deixou aquele local e, por algum tempo, pregou batismo de arrependimento em Enom, perto de Salim, onde havia muita água para imergir os penitentes. W.F. Albright (The Archeology of Palestina) diz que esse lugar ficava a sudeste de Nablus, perto das cabeceiras do wadi Far’ah, em território samaritano. Depois disso, João retornou ao território governado por Herodes Ântipas, provavelmente a Peréia. Acabou despertando a hostilidade de Herodes Ântipas, e mais ainda de sua segunda esposa, Herodias, ao denunciar que o casamento deles era ilícito, porquanto ela era esposa de um irmão dele. Por esse motivo, João foi encarcerado na fortaleza de Maquero, na Peréia; e, poucos meses mais tarde, foi executado. Ver Mat. 14:1-12 quanto a essa narrativa.

e. João Batista e os Essênios. Os eruditos comumente têm-feito a ligação entre João Batista e os essênios. Os seus hábitos ascéticos e os locais onde ele costumava pregar, perto de onde os membros daquela seita se localizavam, bem como as afinidades entre João Batista e os manuscritos do mar Morto, encontrados em Qumran, chegam quase a confirmar essa pura especulação. Um grupo de ascetas essênios residia na margem noroeste do mar Morto; e tanto João Batista como os membros dessa seita residiam no deserto da Judéia; ambos tinham um caráter nitidamente sacerdotal; ambos davam ênfase ao batismo em água como sinal de purificação interna; ambos ensinavam um iminente juizo divino; ambos apelavam para Isaias 40:3 como a autoridade para suas missões. Os eruditos, pois, até hoje continuam a debater essa possível conexão entre o Batista e os essênios. Mas, se porventura João em algum tempo fez parte do grupo, então é certo que ele ultrapassou em muito as limitações do ..,grupo e tornou-se líder de um movimento distinto. E mesmo possível que, bem antes de iniciar- seu ministério, o Batista tivesse tido ligações com eles; o fato, porém, é que o movimento de João Batista nada tinha a ver com os essênios. Em Qumran, o batismo era um rito de iniciação; mas João universalizou a imersão, tornando o sinal daquele movimento que em breve acolheria ao Messias. A mensagem do Batista dirigia-se à nação inteira de Israel. Ele não falava em nenhuma seita separatista e exclusivista. O batismo de João tornou-se uma espécie de ato escatológico, a declaração em favor da crença em um apocalipse que em breve se manifestaria.

f. João, o Imersor, Tanto o Novo Testamento (no grego), quanto Josefo, chamam João Batista por esse nome. A imersão em água era um elemento essencial e básico em seu ministério. Essa imersão ou batismo era o sinal de arrependimento e de aceitação da mensagem de João como precursor do Messias. Preparava as pessoas para um discipulado sério e especial. Ver Josefo (Anti. 18.5,2).

g.O Movimento de João Batista. João era homem dotado de grande poder e influência. Os evangelhos acharam por bem mostrar que ele mesmo não era o Messias, e que ele não tinha quaisquer ambições messiânicas. Ver João 1:19-28. E o trecho de Atos 18:25 mostra-nos que o movimento de João Batista teve prosseguimento mesmo após a formação da Igreja cristã. Ver também Atos 19:1-7. A obra intitulada Reconhecimentos Clementinos sugere que o movimento continuou e que chegou a entrar em conflito com grupos cristãos. Alguns estudiosos têmafirmado que a comunidade dos mandeanos  que até hoje sobrevive, teve suas origens nomovimento de João Batista; porém, nada de certo se pode afirmar quanto a esse respeito.

h. Reconhecimentos Clementinos, Entre a literatura que alegadamente procedeu da pena de Clemente de Roma (embora isso não seja verdade), temos as Homilias que, presumivelmente, preservam os ensinos e os sermões de Clemente de Roma. Também existem dez livros chamados Reconhecimentos Clementinos. Esses volumes, alegadamente, oferecem-nos informes históricos associados a Clemente, com grande abundância de ensinamentos. Entretanto, ambas  essas obras parecem mais ter-se originado entre os gnósticos judeus, datando de algum periodo da porção final do século li D.C. Mas, embora esse material não seja genuinamente clementino, não há razão alguma para duvidarmos que contém alguns informes históricos genuínos, como aquele que diz que o movimento gerado por João Batista continuou até o fim do século II D.C.

2. Família e Começo de Vida

João Batista era filho do sacerdote Zacarias, que pertencia ao turno de Abias (I Cr(J. 24:10). Sua mãe, Isabel, também era de familia sacerdotal, pois é até chamada de «das filhas de Arão» (Luc. 1:5). Seu nascimento foi miraculoso, visto que ambos os seus pais eram de idade avançada. Ele nasceu na região montanhosa da Judéia. Maria, mãe de Jesus, foi visitar Isabel, e permaneceu com ela por cerca de três meses. Ver Luc. 1:56. Elas eram parentas (Luc. 1:36).

Alguns estudiosos pensam que elas eram «primas», conforme a palavra grega correspondente é traduzida; mas outros preferem pensar que o termo grego sungenes não demarca nenhum grau especifico de parentesco, e que pode ser melhor traduzido por «parenta». Esse termo grego é tão indefinido que pode até significar «compatriota». Ver Josefo (Guerras 7.262; Anti. 12.338). Talvez Jesus e João Batista fossem primos em algum grau desconhecido. Praticamente

nada sabemos acerca da vida de João Batista, antes dele dar inicio a seu ministério público.

Sabemos somente que ele residia na região montanhosa da Judéia, embora a cidade onde ele residia não seja mencionada nas páginas do Novo Testamento. É evidente que ele vivia sob o voto dos nazireus (vide), permitindo que seus cabelos crescessem e não aparando os cantos da barba. Evitava todo vinho e toda bebida alcoólica, e vivia como asceta. Por isso mesmo, alguns eruditos têm pensado que, pelo menos em algum tempo, antes de iniciar seu ministério. ele

se tenha associado com os essênios, que habitavam em comunidades separadas, no deserto. Porêm, não há provas conclusivas quanto a essa especulação. O trecho de Lucas 1:80 meramente diz-nos que João cresceu e se tornou forte, habitando no deserto, até o tempo de sua manifestação a Israel.

3. Fontes  Informativas

Nossas fontes informativas sobre a vida de João Batista são os quatro evangelhos e algumas poucas citações das obras de Josefo. Há outras alusões, nos ensinos mandeanos e no Josefo Eslavônico. Porém, os informes ali contidos, de acordo com os estudiosos, revestem-se de pouco valor histórico.

4. Ministério e Mensagem de João Batista

a. O Precursor de Cristo. A vida de João Batista visava a preencher um propósito todo especial, ou seja, o de ser o precursor do Messias. Tal como se dá no caso do próprio Senhor Jesus, pouco se sabe acerca. do período de preparação de João Batista. João Batista deu inicio ao seu ministério público poucos meses antes do Senhor Jesus iniciar seu próprio ministério. Tal como se deu com o Filho de Deus, João Batista dispunha de curtíssimo prazo para cumprir o seu ministério. Josefo afiança que João Batista era pessoa dotada de grande magnetismo pessoal e força de atração. A vida dele foi como Um brilhante meteoro que apareceu subitamente, brilhou durante um breve período, e desapareceu. Alguns chegaram a pensar que ele seria o Messias prometido, e o primeiro capítulo do evangelho de João cuida em mostrar que essa opinião estava equivocada, porquanto João Batista mesmo nunca fizera tal reivindicação. Todavia, a vida de João Batista foi de tal modo poderosa que outros identificaram-no com Elias. E, em certo sentido, estavam com a razão. Foi o próprio Senhor Jesus quem declarou: «E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir» (Mat. 11:14).

b. João Batista Foi uma Figura Profética. Ele se assemelhava aos profetas do Antigo Testamento, sobretudo com Elias (ver Mat. 5:4 com 11 Reis 1:8 e Zac. 13:4). Os autores do Novo Testamento ensinaram que ele cumpriu a profecia de Isa. 40:3 (ver Mat. 3:3; 17:10-12; ver também Mal. 3:1 e 4:5).

Como um homem do destino, João Batista coube dentro dos tempos do cumprimento de promessas messiânicas e, durante um tempo breve mas crucial realizou o seu ministério terreno. Embora fosse grande, do ponto de vista espiritual, é deveras significativo que Jesus tenha afirmado que o menor no Reino de Deus será maior do que ele (Mat. 11:11). Isso nos revela algo sobre a grandiosidade espiritual que o Reino de Deus haverá de trazer.

c. Um Profeta Asceta. João pode ter vivido ou não sob os votos do nazireado . Seja como for, ele vivia de modo extremamente ascético, vestido, como Elias, com pêlos de camelo e comendo gafanhotos e mel silvestre, e falando acerca de acontecimentos apocalípticos e sobre a necessidade dos homens se arrependerem. Tudo, em João Batista, fazia lembrar Elias. e as multidões vinham ouvi-lo.

d. Retirada e Reforma. Embora, a exemplo dos essênios, João Batista se tivesse retirado do convívio social, de forma alguma ele se distanciou da sociedade de seus dias. Sua missão consistia em anunciar as condições, àquela sociedade, mediante as quais os homens de então deveriam acolher o Messias e o seu reino. O Batista engolfou Samaria em seu ministério (João 3:23). Se é que João Batista começou entre os essênios (um ponto muito disputado), então, por certo, ele não se limitou a essa «denominação», visto que a sua mensagem profética era universal, e ele não pregava a uma claque fechada, conforme faziam os essênios.

e. O Messias Anunciado por João Batista. O Novo Testamento deixa claro que João Batista esperava que o Messias estabelecesse o seu reino, pela força, se necessário, e que isso constituiria um acontecimento apocalíptico. De fato, João referia-se a esse advento com termos idênticos àqueles em que os pregadores modernos aludem ao Segundo Advento de Cristo. O Novo Testamento não tenta esconder que o Batista, em certa medida, ficou desapontado diante do modo como Jesus se apresentou publicamente. Jesus não reuniu algum exército, nem se mostrou militante. Ao que parecia, não foi ao menos capaz de proteger o seu homem-chave, ou seja, ao próprio João Batista. Os adversários de Jesus pareciam estar ganhando todas as vitórias. Verdadeiramente, do ângulo de João, as coisas não estavam avançando nada bem. Foi por essa razão que ele enviou mensageiros a Jesus, para que indagassem se ele era, veramente, o Messias, Aquele pelo qual ele, João Batista estava esperando. Ver Mat. f 1:2 ss . João ouvia falar sobre os grandes prodígios de Jesus; mas ali estava ele mesmo, no cárcere. Como poderia ser isso?

A resposta de Jesus… dificilmente  poderia tê-lo satisfeito. Jesus não foi capaz de anunciar qualquer progresso na revolução! Não tinha reunido nenhum exército; não obtivera qualquer poder político; não havia um numeroso grupo de seguidores dispostos a combater por ele. Tudo quanto Jesus pôde dizer é que os cegos estavam recebendo de volta a visão, que os aleijados estavam andando novamente, que os leprosos estavam sendo purificados, que os surdos estavam ouvindo, que os mortos estavam sendo ressuscitados dos mortos, e que aos pobres estava sendo anunciado o evangelho. Dificilmente esse era o Messias pelo qual João estava esperando! Ou, pelo menos, muitos pensam assim a respeito de João. Não obstante, naquela mesma ocasião, Jesus afirmou que João estava cumprindo a predição de Mal. 3:1: «Eis que eu envio o meu mensageiro que preparará o caminho diante de mim… » Sim, o caminho fora preparado por João; mas o caminho não parecia ser aquele pelo qual João esperava. Não é que o Batista tivesse perdido a fé em sua missão, mas ficou muito desanimado, indagando se Jesus realmente cumpria os requisitos da missão messiânica. Os profetas do Antigo Testamento não sabiam separar a primeira da segunda vindas de Cristo. Pedro alude a isso em I Pedro 1: 11: «•• .investigando atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam». Eles não entendiam que, na primeira vinda haveria os «sofrimentos» de Cristo, e que só em sua segunda vinda haverá as «glórias». Esse era o motivo da perplexidade de João Batista.

f. O Mistério da Cegueira de Israel. Paulo falou, profundamente admirado, sobre essa cegueira, em Rom. 11:2S ss. Ele explicou que a cegueira de Israel era uma necessidade, a fim de que o evangelho pudesse ser anunciado às nações gentílicas também, para que houvesse uma Igreja formada por judeus e gentios, igualmente. Mas, chegado o tempo certo, e removido o véu que agora tapa os olhos do povo judeu, eles haverão de reconhecer que o Senhor Jesus é o Messias prometido. Não obstante, Israel é responsável pelos seus atos. O poder predestinador do Senhor usa a vontade humana sem destrui-la, embora não saibamos precisar como. O décimo primeiro capítulo de Mateus mostra como a mensagem de João Batista e de Jesus caíram em ouvidos surdos, como eles tocaram para o povo, mas eles não dançaram; como eles lamentaram, mas o povo não chorou. João veio como um asceta; mas Jesus, ao contrário, não era asceta. Todavia, nem João Batista e nem Jesus tinham sido devidamente ouvidos. O povo judeu permaneceu na indiferença (Mat, 11:16-19). Nem mesmo os poderosos prodígios de Jesus levaram o povo judeu a arrepender-se (vs, 20 ss). No entanto, um pequeno remanescente acreditou, mediante o poder de Deus; e a esses foram revelados os mistérios do reino de Deus (vs. 25 ss). Ê significativo que dentre esse contexto de rejeição, emergiu aquele belo convite de Jesus, por tantas vezes citado: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. (Mateus 11:28,29).

g. O Batismo de João. Sem dúvida a imersão aplicada por João Batista era muito mais que algum rito de iniciação, a fim de que membros fossem aceitos em alguma seita (como era o caso entre os essênios), Antes, era um sinal de conversão a Deus, um sinal requerido de que uma pessoa havia abandonado seus antigos caminhos pecaminosos, em preparação .para acolher ao Messias e ao seu reino. Todavia, o batismo de João não era um batismo cristão, com todo o seu simbolismo e significado. Para tanto, era mister que Jesus morresse e ressuscitasse. Mas, à semelhança do batismo cristão, apontava para o arrependimento, a renovação espiritual e a resolução de viver a vida de um piedoso discípulo da retidão. Também havia um intuito messiânico, pelo que estava aliado bem de perto com a fé cristã, que em breve Jesus haveria de trazer. Supomos que aqueles que foram batizados por João, ao se unirem ao movimento cristão, não eram rebatizados. No entanto, houve casos de pessoas, inteiramente ignorantes sobre Cristo e suas reivindicações, que, embora tivessem sido discípulos de João Batista, mais tarde foram novamente batizadas (ver Atos 19:1 ss). Os judeus costumavam batizar os gentios que se convertessem ao judaísmo, imergindo-Ihes totalmente o corpo, o que representava uma completa purificação. Não há que duvidar que esse precedente foi o que determinou o espírito e o modo da imersão aplicada pelo Batista. O evangelho de João destaca o ponto que .João batizava em Enom, perto de Salim. porque ali . havia muita água. Teria sido inteiramente fora de ordem, do ponto de vista dos judeus, se João se pusesse à beira de um rio, com algum candidato ao batismo, para então apanhar uma pequena quantidade de água e a derramar sobre a cabeça do candidato. Isso não seria imersão, mas aspersão.

A seita de Qumnm (ver Sobre Khlrbet Qamran) praticava um batismo de arrependimento que assinalava os novos convertidos ao seu grupo, permitindo-lhes o ingresso na seita. Porém, isso era meramente uma adaptação da imersão de prosélitos ao judaísmo. O Manual de Disciplina, em seu quinto capítulo, descreve o batismo praticado entre os essênios. Se João Batista estivera, em algum tempo, associado aos essênios, então, naturalmente, teria continuado a prática de batismo, mas o batismo dos essênios não era o verdadeiro precedente de seu batismo, que ia buscar raízes ainda mais longe na história do povo judeu.

5.Elias Redivivo

Era doutrina comum entre os judeus do começo do cristianismo que grandes personagens proféticas do Antigo Testamento, teriam mais de uma missão espiritual terrena. Muitos rabinos pensavam que Jeremias fosse a reencarnação de Moisés. E eles esperavam que Elias voltasse a viver como o precursor do Messias. E do próprio Senhor Jesus chegaram a pensar que ele fosse Jeremias ou algum dos antigos profetas. Ver Mat. 16:14. E os discípulos de Jesus tinham consciência da tradição, promovida pelos fariseus, de que Elias deveria retomar à vida, antes da carreira do Messias, envolvendo-se no drama de sua aparição (Mat. 17:10 ss). Jesus, chegado o momento certo, ensinou que Elias já viera a este mundo, na pessoa de João Batista. Alguns intérpretes crêem que João Batista foi uma autêntica reencarnação de Elias; mas outros crêem que o Batista cumpriu o espirito daquela profecia, mas que ele não era o próprio Elias. João Batista declarou que ele mesmo não e-ra Elias (João 1:21). Porém, aqueles que acreditam que João Batista era. realmente, a reencarnação de Elias, salientam que a pessoa reencarnada (com algumas notáveis exceções) usualmente não tem consciência de sua anterior identidade (ou identidades). Eu mesmo não penso que podemos eliminar essa possibilidade sobre bases dogmáticas. Pois o próprio Novo Testamento ensina casos especiais de. reencarnação, com vistas a missões terrenas especiais. As duas testemunhas do Apocalipse (cap, 11) aparecem como quem já tinha outras histórias terrenas. – O anticristo, segundo se lê em Apo. 17:8,11, haverá de subir do hades a fim de cumprir ainda uma outra missão diabólica. Os cristãos antigos pensavam que o anticristo seria Nero redivivo. E muitos crentes ensinam, até hoje, que Elias terá uma outra missão na terra, antes do segundo advento de Cristo.

João foi cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento (Luc. 1:15).

Os autores neotestamentários também fazem de João uma figura profética, especificamente como o precursor do Messias. Ê muito significativo, e sem dúvida autêntico, que João, de certa feita, em um momento de desencorajamento, em seu cárcere, duvidou que Jesus teria cumprido os requisitos da missão messiânica, pela qual ele vinha procurando (Mat. 11:2 ss). Porém, não há razão alguma para supormos daí que nunca houve qualquer reversão nessa dúvida de João. Todos nós experimentamos instantes de dúvida e desencorajamento; e João Batista, afinal de contas, era apenas um homem. Seja como for, é significativo que João Batista e Jesus efetuaram ministérios paralelos, embora distintamente separados. Nunca houve uma completa unificação dos dois esforços, mesmo depois que o cristianismo já estava bem firmado. Porém, sabemos, com base nos registros históricos, que muitos seguidores de João Batista bandearam-se para Jesus, e que o próprio João encorajou isso. Tanto Jesus quanto João reivindicavam autoridade divina para suas respectivas missões, e afirmavam outro tanto um acerca do outro (Mat. 21:23-27).

6. João Batista e Jesus

Sabe-se que alguns dos primeiros discipulos de Jesus vieram do círculo dos discípulos do Batista (João 1:35 ss), embora o movimento resultante da missão de João Batista tivesse continuado por muito tempo depois dos primórdios do cristianismo. Alguns estudiosos crêem que tanto João Batista quanto Jesus
estiveram ligados aos essênios, pelo que teriam conexão e amizade antes do ministério público de um e de outro. Como primos em algum grau. também
pode ter havido alguma forma de contato doméstico social entre eles, antes de iniciarem seus respectivos ministérios públicos. A história tem ocultado essas
coisas de nós;

7. Seguidores de João Batista

a.. João tinha seguidores que formavam um movimento espiritual crescente, antes mesmo do começo do ministério público de Jesus. O primeiro capítulo do evangelho de João mostra-nos isso.

b. Quando Jesus iniciou o seu ministério público, pelo menos alguns dos principais discípulos de João vieram engrossar o movimento encabeçado por Jesus (João 1:35 ss).

c. O movimento liderado por João continuou, paralelo ao de Jesus, havendo pontos de contato entre os dois movimentos (Mat. 11:2 ss).

d. O movimento de João Batista continuou atuante, mesmo depois da morte dele, e entrou até bem dentro da era apostólica. Apolo fora discípulo de João Batista (Atos 18:24 ss). Outros discípulos de João converteram-se ao cristianismo, e assim uniram-se à Igreja primitiva (Atos 19:1-7).

e. Os Reconhecimentos Clementinos (fim do século 11 D.e.) dão provas de algum conflito entre os posteriores seguidores de João Batista e o cristianismo. Todavia, que certeza se ‘poderia ter se as pessoas que continuaram o movimento Batista eram fiéis às suas idéias? João pode ter sido para elas uma espécie de santo patrono, e não uma figura histórica do movimento deles.

8- Morte de João Batista

O relato da morte do Batista é contado em Mar.6:17-29. Essa é a única crônica importante dos evangelhos que não gira especificamente em torno de Jesus. E isso mostra a importância que João Batista tinha para o cristianismo primitivo. E perfeitamente possível que o episódio tenha sido preservado tanto pelos discípulos de Jesus quanto pelos discípulos de João. Josefo fornece-nos outros detalhes sobre a questão, conforme observou-se acima. João, sem dúvida, foi tido como uma ameaça política para a autoridade de Herodes. A execução de João Batista, por ordem de Herodes, não se deveu meramente ao fato de que João objetava ao casamento de Herodes com sua própria cunhada, Herodias. Herodes havia encarcerado João no castelo de Marquero, na margem oriental do mar Morto. Foi então que João mandou indagar a Jesus acerca de suas reivindicações messiânicas (Mat. 11). Herodias, amargurada contra João, por achar que este interferia em sua vida particular, foi a mola que levou Herodes a mandar executar o Batista e, sem dúvida, ela ficou muito satisfeita em ver-se livre daquele empecilho. Herodes, por sua vez, sabia que João era homem reto (Mar. 6:20). Não fizera ainda qualquer violência contra ele, por saber que ele era tão estimado pelo povo comum, e não queria se arriscar a provocar qualquer revolta popular (Mar. 6:20). Porém, Herodias acabou ganhando a parada; e podemos ter a certeza de que Herodes não tentou entravar a vontade dela. Herodias exigiu a cabeça de João Batista como prêmio pela dança tão aplaudida de sua filha. A jovem muito agradara a Herodes e aos convivas meio a1coolizados, que participavam de sua festa de aniversário natalício. Herodes mandou um executor cortar a cabeça de João Batista. E a cabeça de João foi exposta ao público. Quando os discípulos de João souberam o que havia acontecido, obtiveram o seu cadáver e o sepultaram. Em seguida, foram informar Jesus e seus discípulos sobre o que acontecera (Mat, 14:3-12; Mar. 6:17-29). E a noticia teve um profundo efeito sobre o Senhor Jesus. Ao ouvir sobre o acontecido, ele se retirou para a Galiléia, talvez sentindo o perigo contra si mesmo e contra os seus discípulos (Mat. 4: 12). E, sabedor da execução de João, retirou-se para um lugar solitário (Mat. 14:3), sem dúvida a fim de orar e meditar, para meditar  sobre o que faria em seguida, sob aquelas novas circunstancias.

 

Bibliografia: AM GEY KR KU ND RO(1912) UN.

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