Lição 11 – Revista Betel – Jacó vai ao Egito se encontrar com José

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Fonte: EBD Areia Branca

Texto Áureo

“E disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; eu irei e o verei antes que morra”. Gn 45.28

Verdade Aplicada

As pegadas na areia do tempo não são deixadas por pessoas sentadas, mas por homens e mulheres que se aventuram em cumprir a vontade de Deus.

Objetivos da Lição

?      Ensinar que Deus provê o necessário para cada situação;

?      Mostrar que sempre é ne­cessário buscar a orientação divina; e

?      Demonstrar que quando es­tamos na vontade de Deus em qualquer lugar somos abenço­ados.

Textos de Referência

Gn 45.26 Então, lhe anuncia­ram, dizendo: José ainda vive e ele também é regente em toda a terra do Egito. E o seu coração desmaiou, porque não os acreditava.

Gn 46.1 E partiu Israel com tudo quanto tinha, e veio a Berseba, e ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaque, seu pai.

Gn 46.2 E falou Deus a Israel em visões, de noite, e disse: Jacó! Jacó! E ele disse: Eis-me aqui.

Gn 46.3 E disse: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer ao Egito, porque eu te farei ali uma grande nação.

Gn 46.4 E descerei contigo ao Egito e certamente te farei tornar a subir; e José porá a sua mão sobre os teus olhos.

Gn 46.5 Então, levantou-se Jacó de Berseba; e os filhos de Israel levaram Jacó, seu pai, e seus meninos, e as suas mulheres, nos carros que Faraó enviara para o levar.

Gn 46.6 E tomaram o seu gado e a sua fazenda que tinham adquirido na terra de Canaã e vieram ao Egito, Jacó e toda a sua semente com ele.

Ajuda Versículos

Ajuda 1

Viagem de Jacó ao Egito (46.1-7)

 

Temos aqui outro dos grandes marcos da vida de Jacó, um passo importante na formação de Israel como nação. Abraão havia sido avisado de antemão acerca dessa questão, a qual dificilmente poderia ter sido antecipada sem alguma iluminação divina. Seus descendentes teriam de sofrer um período de quatrocentos anos de exílio e provação (Gn 15.13). Israel, em desenvolvi­mento, continuaria no exílio até que os pecados dos habitantes de Canaã preen­chessem a taça do destino. Então o juízo de Deus haveria de feri-los, e eles perderiam seus territórios. E essa terra seria dada a Israel, como sua pátria (Gn 15.16). Esse seria o primeiro dentre quatro grandes exílios previstos para o povo de Israel, a saber: 1. o exílio egípcio, quando Israel estivesse em formação; 2. o exílio assírio, quando se perderam quase totalmente dez das tribos; 3. o exílio babilônico, quando se perderam quase totalmente duas tribos (Judá e Benjamim), mas das quais voltou um remanescente, provenientes de Levi e de todas as demais tribos; 4. o exílio romano, a começar em 132 D. C. (quando todos os judeus foram expulsos da Palestina e dispersos em várias direções). Foi então que os judeus se dividiram em três grupos principais: Judeus asquenazitas (que foram para países da Europa central e oriental); judeus sefarditas (que ficaram em países em torno do Mediterrâneo, além das ilhas britânicas); judeus orientais (que ficaram na região da Arábia para o oriente, até o Japão). Esse quarto exílio começou a ser revertido com a formação do Estado de Israel, em maio de 1948, graças aos esforços do movimento sionista, iniciado por idealistas judeus do século XIX. Mas nem todos os judeus concordam com o sionismo, do que é prova o fato de que a maior parte dos judeus continua longe da Palestina até hoje. Assim, tem prevalecido sempre a providência de Deus.

 

Apesar de todos os exílios, vicissitudes e perseguições, tem prevalecido o Pacto Abraâmico. Esse pacto é renovado na passagem à nossa frente. Ver a respeito em Gn 15.18. Uma das provisões desse pacto era a necessidade de um território pátrio, onde Israel pudesse viver como nação, e não apenas como tribos nômades. Com base nessa situação, viria a primeira revelação, e, finalmente, o Cristo, descendente de Judá. E, então, Cristo haveria de abençoar todas as nações da terra (Gl 3.14), por meio do evangelho. Antes, porém, Israel teria de residir temporariamente em Gósen, no Egito.

 

46.1  De Hebrom a Berseba. Jacó precisava tomar uma decisão muito importante. Era certo deixar a terra de Canaã, onde Abraão tinha habitado? Deixá-la não prejudicaria as provi­sões do Pacto Abraâmico? Como esse pacto poderia ter cumprimento se a nação de Israel se formasse no Egito? Jacó buscou luzes. E assim sendo, ele foi a Berseba e ofereceu sacrifícios a Yahweh, o Deus de seu pai, Isaque. Ele estava voltando às suas raízes e buscando respostas. Em Berseba Deus havia aparecido a Abraão (Gn 21.33) e depois a Isaque (Gn 26.23). Esse lugar tinha um santuário, um centro do Yahwismo. Era um lugar apropriado para buscar iluminação a respeito da séria decisão que ele teria de tomar. O próprio Faraó tinha-lhe enviado ricos presentes, convidando-o a vir ao Egito (Gn 45.17 ss.). José achava-se no Egito, e Jacó gostaria muito de ir para perto dele. Mas existem coisas mais importantes do que estar na companhia de um filho amado, como fazer a vontade de Deus, sem importar qual seja essa vontade. Mas se alguém puder estar com um filho amado, ao mesmo tempo em que estiver fazendo a vontade de Deus, tal pessoa será duplamente abençoada. A Jacó, pois, foi dada essa bênção.

 

Berseba ficava a apenas vinte e seis quilômetros de Hebrom, assim o santu­ário ficava perto, e Jacó sentiu-se impelido a buscar orientação ali.

 

Deus de seu pai. No hebraico, Elohim.

 

46.2  Em visões de noite. Algumas vezes as visões são dadas por meio de sonhos, mas é provável que aqui devamos entender a presença divina ou uma teofania. Para receber uma orientação iluminadora, algumas vezes precisamos do toque místico, da iluminação vinda do alto. Jacó era homem de muitas experiências místicas, mediante as quais a presença divina lhe era conferida de variegados modos. Ao que parece, cada movimento importante de Jacó era acompanhado por alguma elevada experiên­cia espiritual, que lhe conferia orientação e poder. Ver Gn 28.11 ss. Quando ia para a companhia de Labão, Jacó tivera a visão da escada que ia dar no céu. Na oportunidade, foi renovado através dele o Pacto Abraâmico (Gn 31.3,11). Quando voltava para Canaã, depois de ter estado com Labão por vinte anos, recebeu outra iluminação direta (Gn 32.1 ss.). Depois de ter-se separado de Labão, já a caminho de Canaã, Jacó recebeu outra experiência mística iluminadora (Gn 35.1). E, então, foi instruído a ir a Betel, habitar ali e erigir um altar. Foi aí que ele se desfez de certos ídolos (sem dúvida, alguns trazidos por Raquel), quando houve uma renovada dedicação ao Senhor.

 

Eis-me aqui. A resposta da alma à presença de Deus, a prova da consciên­cia da presença divina. A vida espiritual consiste em mais do que estudo, leitura da Bíblia, oração e meditação. Precisamos, igualmente, do toque místico, a pre­sença de Deus conosco, que nos ilumina o caminho.

 

“A descida ao Egito, que teria tão decisiva significação para a história da nação de Israel, teve motivo não só no desejo de Jacó ver seu filho perdido fazia tanto tempo (Gn 45.28), mas também na revelação divina dada nas visões da noite!’ (Oxford Annotated Bible, in loc.).

 

46.3  Eu sou Deus, o Deus de teu pai. No hebraico, El, Elohim. El indica poder, e Elohim é o Deus Supremo e Poderoso, o plural majestático de El.

 

“Essa foi a última revelação conferida a Jacó. Depois dessa revelação não há mais registro de outro evento sobrenatural, até a visão da sarça ardente (Êx 3.4). Jacó deveria migrar para o Egito, pois ali os seus descendentes multiplicar-se-iam até se tornarem uma nação. A presença e a bênção de Deus haveriam de acompanhar a ele e a seus descendentes, e, finalmente, haveriam de trazê-los de volta à Terra Prometida. Para o próprio Jacó, além disso, foi dada a promessa de que José cuidaria dele em seu leito de enfermidade e estaria em sua companhia, por ocasião de sua morte” (Ellicott, in loc.).

 

Naturalmente, em seu leito de morte, Jacó profetizou acerca de seus filhos (Gn 49), um acontecimento inspirado, mediante o qual Jacó foi capaz de prever, em termos gerais, o futuro dos descendentes de seus filhos, e de dar instruções e bênçãos especiais, que fariam suas vidas diferir das de outras pessoas.

 

Lá eu farei de ti uma grande nação. O Pacto Abraâmico não falharia meramente porque Israel desenvolver-se-ia no Egito. Bem pelo contrário, as duzentas ou trezentas pessoas (possíveis) que poderiam ter descido ao Egito (como o núcleo original da nação de Israel) seriam abençoadas de modo especial por Deus. Deus as protegeria; a nação se desen­volveria, porque o poder de Deus estava com ela.

 

Temos aqui outra reiteração do Pacto Abraâmico, em seu mais básico elemento, a grande nação oriunda de Abraão. Cada uma dessas ocorrên­cias frisa alguns poucos itens, embora não o pacto em todos os seus aspec­tos.

 

46.4  Eu descerei contigo. A presença divina far-se-ia patente até mesmo no exílio no Egito. Ao mesmo tempo, havia aquela promessa a longo prazo de um futuro livramento do exílio egípcio. O Pacto Abraâmico incluía o exílio no Egito (Gn 15.13), mas também a eventual libertação desse exílio, no tempo determinado (Gn 15.16).

 

O Toque Pessoal. José era o filho amado de Jacó, do qual estava separado fazia vinte e quatro anos. Jacó ainda viveria por bons dezessete anos no Egito, em companhia de José, e, então, faleceria. Jacó desceu ao Egito quando estava com cento e trinta anos, e viveria cento e quarenta e sete anos. Ver Gn 47.28. José estaria perto dele quando morresse e fecharia os seus olhos. José “prestaria a ele esse último serviço” (John Gill, in loc.). Portanto, Jacó nada teria que temer, nada do que se lamentar; nenhuma ansiedade para vexá-lo, se chegasse a des­cer ao Egito para ali viver pelo resto de sua vida.

 

E te farei tornar a subir, certamente. Não devemos pensar aqui no cadáver de Jacó, o qual foi trazido de volta a Macpela, sepultado onde já estavam os corpos de Abraão, Sara, Lia e Isaque, pai de Jacó. Antes, devemos pensar na promessa a longo prazo de que, finalmente, a nação de Israel seria tirada do Egito.

 

Um de meus filhos queridos teve um sonho perturbador a respeito de minha morte. Ele sonhou que eu era um homem idoso, meus cabelos total­mente encanecidos. Estávamos nas proximidades de uma grande universida­de. Ele voltou do campus e me encontrou morto, ao que parecia, por um ataque de coração. Quando ele me contou o sonho, eu lhe disse: “Por que você está preocupado? Esse é um bom sonho. Viverei até tornar-me um homem idoso, pois meus cabelos estavam totalmente brancos. Morrerei de súbito, de um colapso cardíaco, o que significa que não passarei dias sofren­do. Além disso, eu não gostaria de estar em outra companhia, ao morrer, do que na sua”. Ao ler o texto bíblico à nossa frente, lembro-me desse sonho de meu filho. José, o amado filho de Jacó, estaria com ele até o fim. Não haveria queixas, nem lamentações, nem faltaria coisa alguma. Foi assim que Jacó foi encorajado a ir para o Egito.

 

46.5  Então se levantou Jacó. Ele já havia recebido a sua resposta, que lhe foi dada no santuário em Berseba. E assim, com toda confiança, preparou-se para descer ao Egito. Reencontrar-se com seu filho amado, José, inspirava a sua mente. Seu alquebrado corpo de cento e trinta anos de idade movimentou-se com lepidez e renovada energia.

 

Os carros enviados pelo Faraó (Gn 45.19) facilitaram em muito a viagem.

 

Coisa alguma é dita acerca das esposas de Jacó. É possível que todas elas já tivessem morrido por esse tempo. Mas havia várias famílias a serem transporta­das, com seus filhos e netos. O vs. 27 mostra que havia setenta homens, pelo que o grupo inteiro deve ter consistido em duzentas a trezentas pessoas ao todo, se incluirmos os servos e servas que faziam parte das casas. Temos aí o núcleo que daria início à nação de Israel no Egito. Os varões são alistados, a começar pelo versículo oito.

 

46.6  O seu gado e os bens. Mas não certos itens como móveis, instrumentos agrícolas etc., visto que o Faraó os tinha encorajado a viajar sem bagagem, porquanto receberiam implementos novos no Egito (ver Gn 45.20). É melhor ser abastado do que não ser abastado. Apesar da escassez de alimentos, Jacó ainda era dono de muitos bens.

 

Toda a sua descendência. Os setenta nomes masculinos que apare­cem na lista (vs. 27). Eram várias famílias com seus respectivos filhos e netos. Deus faria grandes coisas, a partir daquele dia de pequenos começos.

 

46.7  Toda a sua descendência. Informações a serem supridas nas listas que aparecem em seguida (vss. 8-27). Quando Jacó desceu ao Egito, esta­va com cento e trinta anos de idade, cento e quinze anos depois de a promessa ter sido feita a Abraão (Gn 12.1-4). Na verdade, os israelitas não estiveram cativos no Egito por quatrocentos e trinta anos. Apenas cerca de duzentos e cinquenta desses anos foram realmente passados em cati­veiro. Essas são cifras aproximadas dadas pela Septuaginta.

 

Suas filhas e as filhas de seus filhos. O elemento feminino da família de Jacó fica assim vago, porque, usualmente, as mulheres não eram nomeadas nas genealogias. Ver Gn 37.36.

 

A Família de Jacó (46.8-27) Este texto tem paralelo em Deuteronômio 10.22, que fala em setenta ho­mens. A tradição arredondou o número de homens a setenta, que alguns estudio­sos supõem ser mera aproximação, ao passo que outros pensam em um número simbólico, e não real, de descendentes de Jacó.

 

“Esta seção, vinda de uma tradição sacerdotal distinta, contém uma lista de descendentes de Jacó, com base no número tradicional de setenta (vs. 27; ver Êx 1.5; Dt 10.22). A maioria dos nomes dos líderes ancestrais de clãs apare­ce na lista sacerdotal do capítulo vinte e seis de Números… o número setenta inclui José e seus dois filhos, que lhe tinham nascido no Egito, além do próprio Jacó” (Oxford Annotated Bible, in loc.).

 

Enquanto a exposição prosseguir, irei fazendo comparações com as genealogias de Números e de I Crônicas, que abordam os mesmos indivíduos. O vs. 26 diz que o número daqueles que viajaram ao Egito foi de sessenta e seis. Mas o versículo vinte e sete dá o número setenta, porém, como o grande total, ou seja, incluindo os filhos e netos que estavam no Egito.

 

Cálculos

 

Filhos e netos de Lia (vs. 15)            33

Filhos e netos de Zilpa (vs. 18)         16

Filhos e netos de Raquel (vs. 22)      14

Filhos e netos de Bila (vs. 25)           07

Dina, uma filha de Jacó                            01

71

 

Er e Onã morreram em Canaã (vs. 12)

José e dois filhos já estavam no Egito

(vs. 20); portanto                              -5

 

Aqueles que migraram para o Egito,

na companhia de Jacó (vs. 26)         66

Os que já estavam no Egito              04

 

Grande total (vs. 27)                         70

 

Esse total de setenta pessoas era o núcleo da nação de Israel que se desen­volveu no Egito. O trecho de Atos 7.14 dá o número de 75 pessoas. As tradições e os núme­ros variam um pouco. A Septuaginta também fala em setenta e cinco pessoas, pelo que sabemos que Estêvão (Atos 7.14) seguiu a Septuaginta, e não o texto hebraico massorético.

 

Bibliografia R. N. Champlin

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